Especialidades médicas
HPV: o que é, como acontece a transmissão, quais os sintomas e como prevenir
O HPV é um vírus muito comum que, na maioria das vezes, não causa sintomas e some sozinho, mas alguns tipos provocam...
A gravidez ectópica é a gestação em que o embrião se implanta fora da cavidade do útero, na maioria das vezes dentro da trompa uterina. Ela nunca chega ao parto e, sem tratamento, pode romper a trompa e provocar hemorragia interna grave.
O problema é frequente: segundo o protocolo do Hospital das Clínicas da UFMG, de 2022, a gravidez ectópica atinge cerca de 2% das gestações. Além disso, a hemorragia que ela causa é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre, segundo a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). Por isso, reconhecer os sinais cedo faz diferença.
Na gravidez ectópica, o óvulo fecundado se implanta e cresce em um local que não sustenta a gestação. Segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), mais de 90% dos casos ocorrem na trompa. Essa gestação nunca é viável, e não existe como transferi-la para o útero.
| Local da implantação | Observação |
|---|---|
| Trompa uterina | Concentra mais de 90% dos casos |
| Colo do útero | Localização rara, de manejo especializado |
| Cicatriz de cesárea | Localização rara, de manejo especializado |
| Ovário ou abdome | Localizações raras |
Por isso, quando o teste de gravidez dá positivo, o ultrassom precisa confirmar que a gestação está dentro do útero.
Os sintomas clássicos da gravidez ectópica são atraso menstrual, dor pélvica ou abdominal e sangramento vaginal, geralmente no primeiro trimestre. Porém, segundo o protocolo da UFMG, esse conjunto completo aparece em menos da metade dos casos, e alguns quadros causam poucos sintomas enquanto a trompa continua íntegra.
Quando a trompa se rompe, o quadro muda de repente. Dor forte e súbita no abdome, dor no ombro, tontura, desmaio, palidez, suor frio e batimentos acelerados indicam hemorragia interna e exigem atendimento de emergência, com chamada ao SAMU (192) ou ida imediata ao pronto-socorro.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Atraso menstrual com dor pélvica ou sangramento | Procurar atendimento no mesmo dia |
| Dor súbita e intensa, tontura, desmaio ou dor no ombro | Ir à emergência ou ligar para o SAMU (192) |
| Teste positivo sem sintomas, mas com fator de risco | Marcar consulta cedo para confirmar o local da gestação |
| Gravidez ectópica anterior | Confirmar a localização por ultrassom nas primeiras semanas |
Esse tipo de gestação costuma acontecer quando algo atrasa ou impede a passagem do embrião pela trompa até o útero. Por isso, quase todos os fatores de risco envolvem lesão ou inflamação tubária, como infecção pélvica e cirurgia nas trompas. Mesmo assim, muitas mulheres não têm nenhum fator identificável.
Os fatores mais associados são:
Quem faz tratamento para engravidar precisa de acompanhamento próximo, e o especialista em reprodução humana confirma a localização da gestação nas primeiras semanas. Além disso, tratar infecções sexualmente transmissíveis cedo protege as trompas.
O diagnóstico da gravidez ectópica combina o exame de sangue que mede o beta-hCG, o hormônio da gravidez, com o ultrassom transvaginal. O exame de imagem dá a certeza: ele procura a gestação dentro do útero e, quando não a encontra, busca sinais de uma massa fora dele.
Segundo o protocolo da UFMG, um beta-hCG acima de 1.500 mUI/mL sem gestação visível no útero sugere o diagnóstico. Na gravidez normal, esse hormônio dobra em média a cada 48 horas, enquanto na ectópica ele costuma subir de forma anômala. A ultrassonografia pélvica é o primeiro passo, e os exames de sangue seriados podem ser feitos em serviços de exames especializados.
Quando o ultrassom não mostra a gestação em lugar nenhum, o médico repete o sangue e a imagem em poucos dias, até definir o local.
O tratamento depende da estabilidade da paciente, do tamanho da gestação e do nível de beta-hCG. Existem três caminhos: acompanhar sem intervir em casos selecionados, usar um medicamento que interrompe o crescimento da gestação ou operar. A ruptura sempre exige cirurgia de urgência.
Sim, a maioria das mulheres consegue engravidar de novo, inclusive depois de perder uma trompa, porque a outra pode assumir a função. O risco de uma nova gestação ectópica, porém, fica maior, e por isso a próxima gestação exige confirmação precoce da localização.
Segundo o protocolo da UFMG, a paciente deve conhecer esse risco, dosar o beta-hCG cedo e confirmar o local da gestação por ultrassom diante de qualquer atraso menstrual. Revisões clínicas estimam que a chance de repetir o quadro fica entre 8% e 15%. Quando as duas trompas sofreram lesão, a reprodução assistida é uma alternativa que o especialista discute com o casal.
Além do cuidado físico, perder uma gestação desejada traz luto, e o apoio psicológico ajuda nessa fase.
Procure um ginecologista assim que o teste de gravidez der positivo, principalmente se houver dor pélvica, sangramento ou algum fator de risco. Para encontrar um profissional, consulte os ginecologistas cadastrados na plataforma MedGuias e veja opções de atendimento presencial e por telemedicina em diferentes cidades do Brasil.
Quem já teve gravidez ectópica, usa DIU ou faz tratamento para engravidar deve confirmar a localização da gestação logo no início. Já a dor forte e súbita, o desmaio ou o sangramento intenso com tontura exigem emergência imediata, sem esperar consulta.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Não. Essa gestação nunca é viável, e não existe como transferi-la para o útero. Por isso, o tratamento é necessário, e esperar sem acompanhamento coloca a vida da mulher em risco.
O teste dá positivo, porque detecta o hormônio da gravidez, mas não mostra onde a gestação está. Só o ultrassom confirma o local, e por isso o exame de imagem é indispensável.
Em casos selecionados, o corpo absorve a gestação, mas só o médico pode afirmar isso, com exames repetidos. Sem acompanhamento, não dá para saber se a trompa vai se romper.
Não por completo, mas algumas medidas reduzem o risco: não fumar, usar camisinha, tratar infecções pélvicas cedo e fazer o primeiro ultrassom logo no início da gestação.