Especialidades médicas
Câncer do colo do útero: causas, sintomas, rastreamento e prevenção
O câncer do colo do útero costuma crescer devagar e, nas fases iniciais, quase nunca causa sintomas. Por isso, o exame...
O câncer de ovário é o tumor maligno que se origina nas células dos ovários, as glândulas que produzem óvulos e hormônios femininos, e, na maioria dos casos, surge a partir do revestimento externo do órgão. Costuma ser silencioso nas fases iniciais, e por isso o diagnóstico chega tarde.
Segundo a cartilha da Febrasgo sobre câncer de ovário, cerca de 70% dos casos aparecem nos estádios III ou IV, quando a doença já avançou além do ovário. Já a estimativa do INCA para 2023-2025 aponta 7.310 casos novos por ano no Brasil.
Os sintomas do câncer de ovário são vagos e parecem problemas comuns do dia a dia: inchaço ou aumento do volume do abdome, dor ou pressão na pelve, sensação de estômago cheio logo ao começar a comer e vontade frequente de urinar. O que chama atenção é a persistência por semanas.
Entre os sinais mais citados estão:
O sinal de alerta é a combinação: sintomas novos, que aparecem com frequência e não melhoram com os cuidados habituais para gastrite, prisão de ventre ou infecção urinária. Como esses sintomas lembram gastrite ou intestino irritável, muitas mulheres demoram a procurar ajuda. Por isso, o clínico geral costuma ser a primeira consulta, e ele deve encaminhar ao ginecologista quando os sinais persistem sem explicação.
O risco aumenta com a idade: a doença é mais comum depois dos 50 anos, e metade dos casos ocorre acima dos 60. Além disso, alterações herdadas nos genes BRCA1 e BRCA2, presentes em cerca de 20% dos casos, e uma história familiar de câncer de mama ou de ovário elevam muito a chance.
| Fator | Como influencia o risco |
|---|---|
| Idade acima de 50 anos | Concentra a maior parte dos casos |
| Mutações em BRCA1 e BRCA2 | Aumentam bastante a chance e costumam se repetir na família |
| Exposição prolongada ao estrogênio | Inclui primeira menstruação antes dos 12 anos, menopausa tardia e reposição hormonal só com estrogênio |
| Nunca ter engravidado | Associa-se a um risco maior |
| Pílula anticoncepcional | Pode reduzir o risco, mas ninguém a usa só com essa finalidade |
Quem tem parentes com câncer de mama ou de ovário pode se beneficiar do aconselhamento genético. Nele, o especialista avalia a história da família e indica, quando necessário, o teste para as alterações hereditárias.
Não existe um exame de rastreamento que comprovadamente detecte o câncer de ovário cedo e reduza as mortes, e isso vale para quem não tem sintomas. Por isso, a ultrassonografia e o exame de sangue CA-125 servem para investigar sinais ou casos de alto risco, e não como rotina para quem se sente bem.
| Exame | Para que serve |
|---|---|
| Ultrassonografia transvaginal | Avalia o tamanho e o aspecto dos ovários e identifica massas |
| CA-125 | Marcador no sangue que pode subir no câncer, mas também na endometriose e em outras condições |
| Tomografia ou ressonância | Mostram a extensão da doença no abdome e na pelve |
| Teste genético | Procura alterações hereditárias, como as dos genes BRCA |
| Cirurgia com biópsia | Confirma o diagnóstico, segundo a Febrasgo |
Quando surge uma massa suspeita, o médico avalia no ultrassom o tamanho, a presença de partes sólidas e o fluxo de sangue para decidir entre acompanhar e operar. O CA-125 sozinho não confirma nem descarta a doença, e por isso o médico o interpreta junto com os sintomas e as imagens. A ultrassonografia pélvica costuma ser o primeiro passo, e o CA-125 e os testes genéticos fazem-se em serviços de exames especializados.
O tratamento combina cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, terapia de manutenção, e a radioterapia é rara. A cirurgia retira o tumor e permite confirmar o diagnóstico, enquanto a quimioterapia atua nas células que restam. O plano depende do tipo do tumor, do estádio e do teste genético.
A cirurgia costuma ficar a cargo de um ginecologista oncológico, e muitas pacientes recebem a quimioterapia antes e depois da operação. Sociedades médicas recomendam o teste genético para toda paciente com tumor epitelial de ovário, mesmo sem histórico familiar, porque o resultado orienta o tratamento. Pacientes com mutação em BRCA, por exemplo, podem se beneficiar de terapias-alvo. Além disso, o resultado alerta os familiares, que passam a receber acompanhamento.
Em casos selecionados de tumores iniciais, a cirurgia consegue preservar o útero e parte do ovário, e vale conversar com um especialista em reprodução humana antes do procedimento. Depois do tratamento, a paciente faz consultas frequentes nos primeiros anos para acompanhar a doença.
Não há como eliminar o risco, mas algumas medidas ajudam. Para mulheres com mutações de alto risco, a cirurgia que retira as trompas e os ovários é a ação que mais reduz a chance da doença. Para as demais, a pílula anticoncepcional pode diminuir o risco, mas ninguém a indica só com essa finalidade.
Gravidez e amamentação também se associam a um risco menor. Além disso, a retirada das trompas em cirurgias que a mulher já planejou, como a laqueadura, é um tema que os especialistas discutem como forma de proteção. Essa decisão depende do caso e merece uma conversa franca com o ginecologista.
Procure um ginecologista quando inchaço abdominal, dor pélvica, saciedade precoce ou mudanças urinárias e intestinais persistirem por semanas. Para encontrar um profissional, consulte os ginecologistas cadastrados na plataforma MedGuias e veja opções de atendimento presencial e por telemedicina em diferentes cidades do Brasil.
Quem tem casos de câncer de mama ou de ovário na família também deve conversar sobre o risco, mesmo sem sintomas. Já a dor abdominal súbita e intensa, os vômitos persistentes e o abdome muito distendido com falta de ar exigem atendimento imediato.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Nas fases iniciais, as chances de cura são maiores. Como a maioria dos casos aparece em fase avançada, o tratamento muitas vezes busca controlar a doença por mais tempo, e a doença pode voltar. Por isso, o acompanhamento regular continua depois do tratamento.
Não. A grande maioria dos cistos é benigna e some sozinha. O médico acompanha os cistos com ultrassonografia e investiga mais a fundo apenas os que têm características suspeitas.
Não. O Papanicolau avalia as células do colo do útero e não detecta tumores nos ovários. Por isso, ele não substitui a avaliação dos sintomas.
Sim, se os ovários continuaram no corpo. A retirada do útero não elimina o risco, e os sintomas persistentes merecem avaliação do mesmo jeito.