Ginecologia e Obstetrícia
Saúde íntima feminina: pH, microbiota e os mitos mais comuns da higiene diária
A vagina tem pH naturalmente ácido, entre 3,8 e 4,5, mantido por bactérias protetoras chamadas lactobacilos. Ducha...
Diferente das infecções vaginais mais comuns, como candidíase e vaginose bacteriana, uma parte importante das infecções ginecológicas mais graves não avisa com sintoma claro. Infecção sexualmente transmissível é a infecção causada por bactérias, vírus ou protozoários transmitidos por contato sexual, e entre elas, clamídia e gonorreia se destacam por serem frequentemente assintomáticas em mulheres e por serem as principais causas de doença inflamatória pélvica, complicação que pode levar a infertilidade e gravidez ectópica.
A diretriz do Ministério da Saúde descreve o tamanho desse risco: entre 20% e 30% das mulheres com clamídia ou gonorreia não tratadas desenvolvem infecção ascendente, que pode evoluir para doença inflamatória pélvica. A clamídia, especificamente, costuma não causar sintoma perceptível na maioria dos casos, o que faz do rastreamento regular — e não da espera por sintoma — a estratégia mais eficaz de prevenção.
A seguir, por que essas infecções costumam ser silenciosas, o que é a doença inflamatória pélvica e como ela se desenvolve, a diferença entre infecção vaginal comum e infecção sexualmente transmissível, e quando o rastreamento deve acontecer mesmo sem sintoma.
Porque essas infecções frequentemente não causam os sintomas clássicos de corrimento ou ardência que levariam a mulher a procurar atendimento, diferente do que ocorre, com mais frequência, nos homens. Quando há sintoma, costuma ser discreto — um corrimento leve, desconforto ao urinar — e facilmente confundido com outras causas mais comuns e benignas.
| Infecção | Frequência de sintomas em mulheres |
|---|---|
| Clamídia | Frequentemente assintomática; quando há sintoma, costuma ser discreto |
| Gonorreia | Pode variar de quase sem sintoma a corrimento com odor forte |
| Tricomoníase | Costuma causar corrimento amarelado e fétido, mais perceptível |
Essa diferença de apresentação entre homens e mulheres tem consequência prática direta: enquanto a maioria dos homens com uretrite por esses agentes procura atendimento por causa do sintoma, muitas mulheres só descobrem a infecção quando já desenvolveram uma complicação, ou durante um exame de rotina que não tinha relação direta com a queixa.
Doença inflamatória pélvica é a infecção do trato genital superior — útero, trompas e estruturas ao redor —, geralmente causada pela ascensão de clamídia ou gonorreia que não foram tratadas na fase inicial, localizada no colo do útero.
Ela afeta principalmente mulheres sexualmente ativas entre 20 e 39 anos, e pode se apresentar de forma aguda, com dor pélvica importante, ou de forma mais silenciosa, com sintomas leves que passam despercebidos por mais tempo.
| Sinal de doença inflamatória pélvica | Conduta |
|---|---|
| Dor pélvica, sobretudo associada à relação sexual | Avaliação médica |
| Febre associada a dor pélvica | Avaliação com prioridade |
| Corrimento com odor, associado a dor | Avaliação médica |
| Sangramento fora do período menstrual, associado a dor | Avaliação médica |
| Dor pélvica intensa e súbita | Pronto-socorro |
As complicações da doença inflamatória pélvica não tratada incluem dor pélvica crônica, infertilidade por lesão das trompas, e aumento expressivo do risco de gravidez ectópica — uma gestação fora do útero, que é emergência médica. É por isso que tratar clamídia e gonorreia cedo, antes da ascensão da infecção, é tão mais eficaz do que lidar com as consequências depois.
Infecções vaginais comuns, como candidíase e vaginose bacteriana, resultam de desequilíbrio da própria microbiota vaginal e não são transmitidas sexualmente da mesma forma; infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e tricomoníase, são adquiridas por contato sexual e exigem tratamento também do parceiro ou parceira, para evitar reinfecção. Confundir as duas categorias leva a tratamento incompleto.
O tratamento concomitante de parceiros é parte essencial do manejo das ISTs, mesmo quando o parceiro não apresenta sintoma algum — e essa é uma diferença importante em relação à candidíase, por exemplo, que raramente exige tratamento do parceiro. Omitir essa etapa é uma das causas mais comuns de reinfecção logo após o tratamento parecer bem-sucedido.
O protocolo brasileiro recomenda rastreamento de rotina para gonorreia e clamídia em mulheres sexualmente ativas com menos de 25 anos, e também diante de fatores de risco como parceria nova ou múltiplas parcerias sexuais, independentemente da idade. Esperar sintoma aparecer não é estratégia eficaz para essas infecções específicas, justamente pelo padrão silencioso que costumam ter.
Gestantes também fazem parte do grupo prioritário de rastreamento, porque ISTs não tratadas na gravidez podem causar complicações como parto prematuro, baixo peso ao nascer e infecção congênita no bebê. O exame costuma ser incluído no pré-natal justamente por esse motivo.
Procure avaliação diante de qualquer sintoma novo, mesmo discreto, diante de dor pélvica, e também sem sintoma algum, se você está na faixa etária de rastreamento recomendado ou teve exposição de risco recente. O uso de preservativo reduz, mas não elimina, o risco de transmissão, e não substitui o rastreamento periódico.
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Sim. Essas infecções são frequentemente assintomáticas em mulheres, o que torna o rastreamento de rotina, e não a espera por sintoma, a estratégia recomendada para quem está na faixa etária ou no grupo de risco indicado.
Não sempre, mas é uma complicação real e documentada, sobretudo quando a infecção não é tratada a tempo ou se repete. Quanto mais cedo a infecção inicial é identificada e tratada, menor o risco dessa evolução.
Sim, no caso de infecções sexualmente transmissíveis como clamídia e gonorreia. O tratamento do parceiro, mesmo assintomático, é parte do protocolo e evita reinfecção logo após o seu próprio tratamento.
Não da mesma forma. A candidíase resulta geralmente de desequilíbrio da própria microbiota vaginal, e não costuma exigir tratamento do parceiro, diferente do que ocorre com clamídia, gonorreia e tricomoníase.