Especialidades médicas
Hormônios femininos: quais são, para que servem e o que causa alterações
Os hormônios femininos, como o estrogênio e a progesterona, regulam o ciclo menstrual, a gravidez e a menopausa, e...
A saúde íntima pós-menopausa é o conjunto de cuidados com a vagina, a vulva, a bexiga e a vida sexual depois do fim da menstruação, quando a queda do estrogênio muda a lubrificação, a elasticidade e a proteção desses tecidos. Esse quadro tem nome: síndrome geniturinária da menopausa.
Segundo a revista Femina, da Febrasgo, de 40% a 57% das mulheres na pós-menopausa têm a síndrome geniturinária, contra 8% a 22% antes da menopausa. Mesmo assim, só cerca de 1 em cada 5 procura um médico, e por isso o problema fica sem tratamento por anos.
Depois da menopausa, o estrogênio cai e a mucosa da vagina, da vulva e da uretra perde espessura, elasticidade e lubrificação. Por isso, a região fica mais seca, mais sensível e mais sujeita a irritações e infecções. Esse processo tende a piorar com o tempo quando a mulher não trata.
| Região | O que costuma mudar |
|---|---|
| Vagina | Fica mais seca, fina e menos elástica, e pode encurtar |
| Vulva | Surgem ardência, coceira e irritação |
| Bexiga e uretra | Aumentam a urgência para urinar, as infecções e o escape de urina |
| Vida sexual | Aparecem dor na relação, falta de lubrificação e sangramento após o sexo |
Os sintomas da saúde íntima pós-menopausa se dividem em três grupos: genitais, como secura, coceira e ardência; sexuais, como dor na relação e falta de lubrificação; e urinários, como vontade frequente de urinar, ardor e escape de urina. Muitas mulheres têm sintomas dos três grupos ao mesmo tempo.
No estudo REVIVE, citado na revisão da Femina, a secura foi o sintoma mais comum (40%), seguida de irritação (27%) e dor na relação (20%). Os sintomas urinários podem lembrar uma infecção, e por isso o médico pede exame de urina antes de concluir que se trata da síndrome geniturinária.
Esses sintomas não são uma consequência inevitável do envelhecimento que a mulher precise suportar. Eles têm tratamento. Infecções urinárias de repetição e escape de urina também merecem avaliação, porque podem se relacionar à falta de estrogênio, e o ginecologista investiga essa possibilidade.
O tratamento começa pelas opções mais simples: lubrificante na hora da relação e hidratante vaginal de uso regular. Quando isso não basta, o médico pode indicar o estrogênio aplicado na vagina em baixa dose, que reduz de 80% a 90% dos sintomas e tem pouca absorção para o resto do corpo.
| Opção | Quando serve |
|---|---|
| Lubrificante | Reduz o atrito durante a relação sexual |
| Hidratante vaginal | Uso regular, a cada três dias, para casos leves |
| Estrogênio vaginal em baixa dose | Primeira linha para quem tem 60 anos ou mais, ou 10 anos ou mais de pós-menopausa, e só sintomas genitais |
| Terapia hormonal sistêmica | Opção quando há também ondas de calor, em mulheres com menos de 60 anos ou menos de 10 anos de pós-menopausa |
A terapia hormonal tem contraindicações, como câncer de mama, sangramento genital sem diagnóstico, trombose e histórico de AVC ou infarto, e por isso o médico decide caso a caso e reavalia a resposta ao tratamento depois de algumas semanas. O endocrinologista também acompanha esse tratamento.
Os lasers vaginais ainda não têm ensaios clínicos randomizados que comprovem benefício, segundo a revisão da Femina, e a Febrasgo pede estudos maiores sobre a segurança a longo prazo. Já a fisioterapia pélvica fortalece o assoalho pélvico e ajuda na dor na relação e no escape de urina.
Alguns hábitos simples protegem a região e complementam o tratamento médico, mas não substituem a consulta quando os sintomas persistem. Cada mulher pode adotar esses cuidados no seu ritmo, e todos eles ajudam a manter a saúde íntima pós-menopausa mais confortável no dia a dia, sem exigir produtos caros nem procedimentos.
A menopausa não encerra a necessidade de exames preventivos. O rastreamento do câncer do colo do útero continua até os 64 anos, no ritmo que o ginecologista indicar, e a mamografia segue o ritmo que o médico indicar. Além disso, o risco de infecção sexualmente transmissível não desaparece com o fim da menstruação.
Por isso, a camisinha continua útil com parceiros novos ou sem exame recente: depois da menopausa ela deixa de ser contraceptiva, mas continua protegendo contra infecções. A ultrassonografia pélvica entra na rotina quando o ginecologista investiga dor pélvica ou sangramento.
O sangramento vaginal que aparece 12 meses ou mais depois da última menstruação nunca é normal e merece avaliação médica sem demora. Segundo o Manual MSD, a causa mais comum é o afinamento da mucosa, mas também há pólipos e alterações do endométrio, inclusive câncer. Só os exames diferenciam essas causas.
O mesmo vale para o corrimento rosado ou amarronzado, que pode conter um pouco de sangue. Na consulta, o médico examina a região com um espéculo menor, pede ultrassom transvaginal e, quando o ultrassom mostra o endométrio espesso, indica biópsia. A histeroscopia permite ver o interior do útero e coletar material de áreas suspeitas.
Procure um ginecologista quando o ressecamento, a dor na relação, a ardência ou os problemas urinários atrapalharem o dia a dia, mesmo que pareçam leves. Para encontrar um profissional, consulte os ginecologistas cadastrados na plataforma MedGuias e veja opções de atendimento presencial e por telemedicina em diferentes cidades do Brasil.
A consulta é urgente diante de qualquer sangramento depois da menopausa, mesmo pequeno e único. Quem tem queimação ao urinar com febre, dor lombar ou sangue na urina também precisa de atendimento rápido. Tratar cedo evita que os sintomas piorem. Mesmo sem queixas, a consulta de rotina ajuda a acompanhar a saúde íntima pós-menopausa.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Sim. Lubrificantes e hidratantes aliviam os casos leves, e o estrogênio aplicado na vagina em baixa dose melhora a maioria dos casos moderados e graves. O ginecologista escolhe a opção conforme os sintomas e a saúde da mulher.
Não. Qualquer sangramento 12 meses depois da última menstruação exige avaliação, porque a causa pode ser simples, como a mucosa fina, ou mais séria, como um pólipo ou uma alteração do endométrio.
Em baixa dose, ele tem pouca absorção pelo organismo, mas tem contraindicações, como câncer de mama e sangramento sem diagnóstico. Por isso, só o médico indica o uso, depois de avaliar cada caso.
Sim. Com lubrificante, tratamento do ressecamento e, quando necessário, fisioterapia pélvica, muitas mulheres conseguem manter uma vida sexual confortável.