Oftalmologia
Teste de visão: o que ele avalia e por que não substitui o exame oftalmológico
Teste de visão costuma ser sinônimo de teste de acuidade visual, que mede apenas a nitidez em uma distância. Ele não...
Quem convive com diabetes precisa conhecer a retinopatia diabética mesmo sem qualquer sintoma visual, porque é exatamente essa a fase em que o tratamento funciona melhor. Retinopatia diabética é a complicação que ocorre quando níveis elevados de glicose no sangue danificam os pequenos vasos da retina, a camada no fundo do olho responsável por captar a imagem, podendo evoluir para sangramentos, inchaço e perda de visão.
A escala do problema é significativa. Segundo a Diretriz de Manejo da Retinopatia Diabética da Sociedade Brasileira de Diabetes, edição 2026, cerca de 34,6% das pessoas com diabetes apresentam algum grau da doença, e aproximadamente 10% desenvolvem formas que ameaçam diretamente a visão.
A seguir, por que a doença evolui sem avisar, quem tem mais risco, os sinais que já indicam estágio avançado, como funciona o rastreamento e o que muda com o tratamento precoce.
Porque as primeiras alterações acontecem na periferia da retina, longe da área central usada para leitura e reconhecimento de detalhes. A pessoa pode ter lesões vasculares significativas e continuar enxergando bem no dia a dia, até que o dano atinja a mácula ou provoque sangramento.
Esse é o motivo pelo qual esperar sintomas para procurar o oftalmologista é a estratégia menos eficaz possível diante de diabetes. Quando a visão embaça de fato, a doença já costuma estar em estágio mais avançado, e parte do dano pode ser irreversível.
| Fase da retinopatia | O que costuma acontecer com a visão |
|---|---|
| Não proliferativa leve | Nenhum sintoma perceptível |
| Não proliferativa moderada a grave | Ainda pode não haver sintomas |
| Proliferativa | Risco de sangramento súbito e perda de visão |
| Edema macular | Visão central embaçada, dificuldade para ler |
| Descolamento de retina tracional | Perda de visão progressiva ou súbita |
A única forma de identificar a doença antes que ela avise é o exame de fundo de olho, feito por oftalmologista, com dilatação da pupila quando indicado. Nenhum teste de acuidade visual comum substitui essa avaliação.
O principal fator de risco é o tempo de diabetes, seguido do controle glicêmico ao longo dos anos. No tipo 1, a prevalência é baixa nos primeiros cinco anos e sobe muito após dez a quinze anos de doença; no tipo 2, a retina já pode estar afetada no momento do diagnóstico.
Uma amostra brasileira citada pela diretriz da SBD encontrou retinopatia em 37,3% das pessoas com diabetes tipo 2 avaliadas. Em pessoas com diabetes tipo 1 e controle glicêmico ruim, outro estudo citado pela diretriz identificou 35,7% de retinopatia, com 12% já em formas graves.
Outros fatores que aumentam o risco: hipertensão arterial associada, alterações de colesterol, gestação em mulher com diabetes preexistente e uso irregular do tratamento. A gestação merece destaque: quando o diabetes é diagnosticado antes ou durante a gravidez, o exame de retina deve ser repetido a cada trimestre, mesmo sem sintomas e com boa acuidade visual.
Isso não significa que quem controla bem o diabetes está livre do risco — significa que o risco é menor e a progressão costuma ser mais lenta. O acompanhamento com endocrinologia e metabologia para o controle glicêmico caminha junto com o acompanhamento oftalmológico, e nenhum substitui o outro.
Manchas ou pontos escuros que flutuam na visão, visão embaçada que varia com o nível de açúcar no sangue, dificuldade de enxergar à noite, áreas escuras ou vazias no campo visual e perda súbita de visão são sinais de que a retinopatia já avançou. Nenhum deles deve esperar a próxima consulta de rotina.
| Sinal percebido | Conduta indicada |
|---|---|
| Perda súbita de visão, mesmo que parcial | Atendimento oftalmológico imediato |
| Manchas escuras ou “moscas volantes” em grande quantidade e de aparecimento recente | Avaliação no mesmo dia |
| Flashes de luz | Avaliação no mesmo dia, para descartar descolamento de retina |
| Visão embaçada que piora progressivamente ao longo de dias | Avaliação com prioridade |
| Dificuldade nova para enxergar à noite ou dirigir | Avaliação em poucos dias |
| Área escura ou “cortina” no campo de visão | Atendimento imediato |
Sangramento dentro do olho, chamado hemorragia vítrea, pode acontecer sem dor e é uma das formas mais dramáticas de a doença se manifestar de repente. Na dúvida entre esperar e procurar atendimento diante de qualquer mudança visual súbita, procure.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia orienta que pessoas com diabetes façam exame oftalmológico completo pelo menos uma vez ao ano, mesmo sem qualquer sintoma. A Academia Americana de Oftalmologia recomenda que, em diabetes tipo 2, o primeiro exame ocorra já no momento do diagnóstico, já que a prevalência de retinopatia nesse momento pode ser alta.
O exame de rastreamento inclui fundoscopia com dilatação da pupila e, quando indicado, fotografia da retina ou tomografia de coerência óptica para avaliar a mácula com mais detalhe. É um exame indolor, que pode deixar a visão embaçada por algumas horas por causa do colírio de dilatação.
A frequência pode mudar conforme o achado. Quem já tem algum grau de retinopatia costuma precisar de reavaliações mais frequentes que uma vez ao ano, definidas pelo oftalmologista conforme a gravidade encontrada. Gestantes com diabetes preexistente entram no grupo de acompanhamento trimestral, independentemente de sintomas.
Programas de telerretinografia, que fotografam a retina em unidades de saúde e enviam a imagem para laudo à distância, têm ampliado o acesso ao rastreamento em regiões com menos oftalmologistas — um caminho relevante em um país onde o acesso à especialidade é desigual entre municípios.
Sim, de forma significativa. Quanto antes a retinopatia é identificada, maior a chance de estabilizar a doença com tratamentos menos invasivos e de preservar a visão que ainda resta. O controle rigoroso da glicemia, da pressão arterial e do colesterol é a base de qualquer tratamento e reduz a velocidade de progressão em qualquer estágio.
Quando há indicação de tratamento direcionado ao olho, as opções incluem injeções intraoculares de medicamentos anti-VEGF, que reduzem o edema macular e o crescimento de vasos anormais, e fotocoagulação a laser, usada em formas mais avançadas para estabilizar a retina e prevenir sangramentos. A escolha depende do estágio e da estrutura afetada.
O que não existe é reversão espontânea. Uma vez formadas, cicatrizes e áreas de dano na retina não desaparecem, o que reforça o argumento central desta doença: o melhor tratamento é o exame feito antes de qualquer sintoma aparecer.
Procure imediatamente diante de qualquer alteração súbita de visão, e faça o exame de rotina uma vez ao ano se você tem diabetes, mesmo sem nenhum sintoma. Se você tem diabetes tipo 2 recém-diagnosticado, o exame deve ser agendado logo no início do acompanhamento, e não esperado para depois.
Manter o diabetes controlado com apoio da clínica médica ou da endocrinologia, e associar isso ao exame oftalmológico anual, é a combinação com mais evidência de proteger a visão a longo prazo. Entender os fundamentos da oftalmologia ajuda a saber o que esperar dessa consulta.
Para localizar oftalmologistas por cidade e convênio, com CRM e RQE informados em cada perfil, a busca por localidade reúne as opções em um só lugar.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Sim, embora o risco seja menor e a progressão costume ser mais lenta. O tempo de diabetes por si só já é fator de risco, o que torna o exame anual necessário mesmo com bom controle.
Não há reversão das lesões já formadas na retina, mas o tratamento estabiliza a doença e evita a progressão. O controle da glicemia e o acompanhamento regular são o que preserva a visão a longo prazo.
Sim. A doença evolui sem sintomas nas fases iniciais, justamente quando o tratamento tem mais chance de sucesso. Esperar sintomas significa procurar ajuda quando o dano já é maior.
Sim. Quando o diabetes é diagnosticado antes ou durante a gestação, o exame de retina deve ser repetido a cada trimestre, mesmo sem sintomas visuais e com boa acuidade.