Oftalmologia
Cirurgia de catarata: quando é indicada, como é feita e como é a recuperação
A catarata é a perda de transparência do cristalino, e a cirurgia é o único tratamento existente. O procedimento troca...
Nem toda infecção ocular é igual, e essa é a informação mais útil para quem está com o olho vermelho agora. Infecção ocular é a invasão de estruturas do olho ou de suas pálpebras por vírus, bactérias, fungos ou protozoários, podendo atingir a conjuntiva, a córnea, as pálpebras, a via lacrimal ou o interior do globo ocular.
Um alerta recente ajuda a entender o principal risco evitável. Em maio de 2026, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, a Sociedade Brasileira de Glaucoma e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica publicaram manifesto conjunto sobre o uso de corticoides sem prescrição, incluindo colírios, que pode desencadear glaucoma e levar à cegueira.
A seguir, os tipos mais comuns, os sinais que não esperam, por que colírio não se escolhe na farmácia, os cuidados de quem usa lente de contato e como evitar a transmissão.
Os quadros variam conforme a estrutura atingida. A conjuntivite é o mais frequente e costuma ser o mais leve; a ceratite atinge a córnea e pode deixar sequela permanente; infecções internas do olho são raras, mas configuram emergência. Só o exame oftalmológico diferencia com segurança.
| Tipo de infecção | Onde ocorre e como costuma se manifestar |
|---|---|
| Conjuntivite viral | Conjuntiva; olho vermelho, lacrimejamento, secreção clara, muito contagiosa |
| Conjuntivite bacteriana | Conjuntiva; secreção amarelada ou esverdeada, pálpebras grudadas ao acordar |
| Ceratite | Córnea; dor importante, sensibilidade à luz, visão embaçada, sensação de corpo estranho |
| Blefarite | Borda das pálpebras; vermelhidão, descamação, ardência e coceira persistentes |
| Hordéolo, o terçol | Glândula da pálpebra; caroço doloroso e localizado |
| Dacriocistite | Via lacrimal; dor e inchaço no canto interno do olho, com lacrimejamento |
| Celulite orbitária | Tecidos ao redor do olho; inchaço, febre e dor ao mover o olho |
| Endoftalmite | Interior do olho; dor intensa e perda rápida de visão, geralmente após cirurgia ou trauma |
Vale um esclarecimento frequente: olho vermelho nem sempre é infecção. Conjuntivite alérgica, olho seco, uveíte e glaucoma agudo produzem vermelhidão sem que haja microrganismo envolvido, e o tratamento de cada um é diferente.
Em crianças e recém-nascidos, o quadro exige atenção redobrada. Secreção ocular em bebê nas primeiras semanas de vida deve ser avaliada sem demora, motivo pelo qual os cuidados com os olhos das crianças começam ainda na maternidade.
Vermelhidão, secreção, lacrimejamento, coceira e sensação de areia são sintomas comuns e nem sempre graves. O que muda a urgência é a presença de dor forte, queda da visão, sensibilidade intensa à luz ou histórico de uso de lente de contato, trauma ou cirurgia recente no olho.
| Sinal de alerta | Conduta indicada |
|---|---|
| Dor ocular intensa, diferente de ardência ou incômodo | Pronto-socorro oftalmológico no mesmo dia |
| Piora ou perda de visão | Atendimento imediato |
| Olho vermelho em quem usa lente de contato | Retirar a lente e procurar avaliação no mesmo dia |
| Sensibilidade extrema à luz | Avaliação no mesmo dia |
| Mancha branca ou acinzentada visível na córnea | Atendimento imediato |
| Inchaço ao redor do olho com febre ou dor ao movimentar o olho | Pronto-socorro, para descartar celulite orbitária |
| Secreção ocular em recém-nascido | Avaliação imediata com pediatra ou oftalmologista |
| Sintomas após cirurgia ocular recente | Contato imediato com o cirurgião |
Na dúvida entre esperar e procurar atendimento, procure. Em oftalmologia, a diferença entre horas pode definir se um quadro deixa ou não cicatriz permanente na córnea.
Porque colírios diferentes tratam problemas opostos, e o errado agrava. O caso mais grave é o do corticoide: usado por engano em uma infecção por herpes, favorece a progressão do quadro; usado de forma prolongada, eleva a pressão intraocular e pode acelerar o aparecimento de catarata.
A dimensão disso é conhecida. A Sociedade Brasileira de Glaucoma estima que cerca de um terço dos casos de glaucoma no Brasil esteja associado ao uso indiscriminado de corticoide — e o glaucoma, diferentemente da catarata, causa perda de visão irreversível.
Outras práticas comuns também aumentam o risco: reaproveitar colírio de tratamento anterior, usar frasco de outra pessoa, aplicar colírio vencido ou manter um frasco aberto por meses. O bico do frasco entra em contato com a superfície do olho e contamina com facilidade.
Antibiótico em colírio tem o mesmo problema dos antibióticos em geral. A maioria das conjuntivites é viral e não responde a antibiótico, e o uso sem indicação favorece resistência bacteriana sem encurtar o quadro.
Sim, e com margem estreita. A ceratite infecciosa é a complicação mais séria associada às lentes de contato, e a regra prática é simples: olho vermelho, dor ou visão embaçada em usuário de lente significa retirar a lente imediatamente e procurar avaliação, sem tentar tratar em casa.
Água é o ponto crítico. Lavar as lentes ou o estojo com água da torneira, nadar ou tomar banho de lente aumenta a exposição a microrganismos presentes na água, entre eles protozoários que causam quadros de tratamento longo e prognóstico ruim. Use apenas a solução indicada para as lentes.
Outros cuidados básicos: não dormir com a lente, salvo prescrição específica; respeitar o prazo de descarte; lavar as mãos antes de manusear; trocar o estojo periodicamente; e não usar lente comprada sem avaliação oftalmológica e adaptação. Para isso, óticas e serviços de adaptação de lentes trabalham a partir da prescrição médica.
Durante qualquer quadro inflamatório ou infeccioso, suspenda o uso e só retome quando o oftalmologista liberar. Manter a lente no olho durante a inflamação piora o quadro e atrasa a recuperação.
Conjuntivites virais são bastante contagiosas, e a transmissão se dá por contato — mãos, toalhas, travesseiros, maçanetas. Lavar as mãos com frequência, não compartilhar toalhas e fronhas e evitar levar a mão aos olhos reduz muito o risco de passar o quadro adiante.
Durante o episódio, vale usar toalha e fronha próprias e trocá-las diariamente, descartar maquiagem de olhos usada no período, evitar piscina e afastar-se de atividades coletivas enquanto houver secreção. Crianças costumam precisar de afastamento escolar, e a orientação deve vir do pediatra ou do oftalmologista.
Para prevenção a longo prazo, o que mais ajuda é tratar condições de superfície ocular, como olho seco e blefarite, que fragilizam a barreira natural do olho. Higiene das pálpebras e acompanhamento periódico resolvem boa parte dos episódios de repetição.
Um último cuidado, simples e frequentemente ignorado: não tente remover corpo estranho do olho por conta própria nem esfregue o olho irritado. A fricção lesiona a córnea e abre porta para infecção.
Procure avaliação sempre que houver dor, queda de visão, secreção purulenta, sintomas que persistem por mais de alguns dias ou qualquer quadro em usuário de lente de contato. Também quando episódios de vermelhidão e irritação se repetem, porque isso costuma indicar uma causa de base a tratar.
Entender quando procurar o oftalmologista evita tanto a ida desnecessária quanto a demora perigosa. Para localizar oftalmologistas na sua cidade, com CRM e RQE informados em cada perfil, a busca por localidade e convênio encurta o caminho.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Não. A maioria dos casos é viral e não responde a antibiótico. A distinção entre viral, bacteriana e alérgica é feita pelo médico, e o tratamento muda completamente conforme a causa.
Não. O colírio pode ser inadequado para o quadro atual, estar contaminado ou vencido. Colírios com corticoide, em especial, podem agravar infecções e elevar a pressão intraocular.
Varia conforme a causa. Quadros virais costumam ser autolimitados e melhorar ao longo de alguns dias a duas semanas. Sintomas que pioram ou que vêm com dor e queda de visão exigem reavaliação.
Não. Alergia, olho seco, uveíte e glaucoma agudo também causam vermelhidão. Por isso o exame é necessário: tratar como infecção algo que não é pode atrasar o diagnóstico correto.