Especialidades médicas
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O sangramento uterino anormal é qualquer sangramento do útero que foge do padrão de frequência, duração ou volume da menstruação normal, ou que acontece entre as menstruações, depois da relação ou depois da menopausa. Ele não é uma doença em si, e sim um sinal que pede investigação.
Segundo o TeleCondutas nº 15 da UFRGS, de 2024, cerca de um terço das pessoas com útero tem sangramento uterino anormal em algum momento da vida. Mesmo assim, muitas mulheres acham que menstruar muito faz parte da vida e adiam a consulta.
O sangramento uterino é normal quando o ciclo dura de 24 a 38 dias, a menstruação dura até 8 dias e a perda total fica em torno de 80 mL. Fora desses limites, ou com sangramento entre as menstruações, depois da relação ou depois da menopausa, o médico considera o sangramento uterino anormal e investiga a causa.
| Parâmetro | Quando preocupa |
|---|---|
| Frequência | Ciclo menor que 24 dias ou maior que 38 dias |
| Duração | Mais de 8 dias de sangramento |
| Volume | Mais de 80 mL, absorvente encharcado em menos de 3 horas ou coágulos maiores que 2,5 cm |
| Regularidade | Diferença de 10 dias ou mais entre o ciclo mais curto e o mais longo em 12 meses |
| Momento | Sangramento entre as menstruações, após a relação ou depois da menopausa |
A causa mais comum do sangramento uterino anormal é a disfunção da ovulação, segundo o Manual MSD, mas existem muitas outras. A classificação internacional PALM-COEIN separa as causas estruturais, como pólipo, adenomiose, mioma e câncer, das não estruturais, como distúrbios da coagulação, doenças do endométrio e efeito de medicamentos.
| Causa | Como costuma aparecer |
|---|---|
| Disfunção da ovulação | Ciclos irregulares, comum na adolescência, na perimenopausa e na síndrome dos ovários policísticos |
| Pólipo ou mioma | Menstruação intensa ou sangramento entre os ciclos |
| Adenomiose | Menstruação intensa, em geral com cólica forte |
| Distúrbio de coagulação | Sangramento intenso desde a primeira menstruação |
| Hiperplasia ou câncer do endométrio | Sangramento depois dos 45 anos ou após a menopausa |
| Medicamentos | Escapes com anticoncepcionais hormonais e outros tratamentos |
Doenças da tireoide e alterações da prolactina também desregulam o ciclo, e o endocrinologista acompanha esses casos. A maioria das causas é benigna, mas só a investigação separa uma da outra. Na adolescência, os primeiros ciclos costumam ser irregulares, porém um intervalo maior que 3 meses entre as menstruações merece avaliação.
O sangramento uterino é intenso quando a mulher encharca um absorvente ou tampão em menos de 3 horas, elimina coágulos maiores que 2,5 cm, troca o absorvente durante a noite ou sangra por mais de 8 dias. Esse volume leva à anemia por falta de ferro, que causa cansaço, tontura, palidez e falta de ar.
Muitas mulheres convivem com esse quadro por anos e só descobrem a anemia no exame de sangue. Por isso, cansaço persistente junto com menstruação volumosa justifica consulta, mesmo sem dor.
Anotar as datas da menstruação, a duração do fluxo e o número de absorventes usados por dia ajuda o médico a avaliar o padrão. Esse registro, feito por dois ou três ciclos, mostra se o volume e a regularidade fogem do normal e orienta quais exames pedir primeiro.
O diagnóstico começa com a história do ciclo, o exame físico e o exame ginecológico. O primeiro passo é excluir gravidez com um teste, mesmo em quem menstruou há pouco. Depois o médico pede hemograma e ferritina para avaliar anemia e, conforme o caso, TSH, prolactina e exames de coagulação.
A ultrassonografia pélvica investiga pólipos, miomas e a espessura do endométrio, e as dosagens de sangue podem ser feitas em serviços de exames especializados. Segundo o TeleCondutas, a biópsia do endométrio entra em cena quando ele mede 5 mm ou mais depois da menopausa, quando mede 12 mm ou mais antes dela, ou quando a mulher tem 45 anos ou mais ou fatores de risco para câncer de endométrio.
Quando o ultrassom sugere pólipo ou lesão, a histeroscopia mostra o interior do útero e permite retirar material para análise.
O tratamento depende da causa, da idade, do desejo de engravidar e da intensidade do sangramento. Na disfunção da ovulação, o médico costuma indicar anticoncepcionais hormonais combinados como primeira linha, ou o DIU hormonal. Quem não pode ou não quer usar hormônios tem opções não hormonais que reduzem a perda de sangue.
Quando há anemia, o médico repõe o ferro. Os pólipos saem por histeroscopia, e os miomas grandes, de 3 cm ou mais, geralmente exigem cirurgia, segundo o TeleCondutas. Nos casos que não respondem ao tratamento, existem procedimentos que reduzem ou param o sangramento, e a retirada do útero fica para situações selecionadas, depois de avaliar o desejo de engravidar.
O sangramento uterino vira emergência quando a perda de sangue é rápida e grande e causa sinais de choque: tontura forte, desmaio, pele fria e úmida, batimentos acelerados ou falta de ar. Nesse caso, a mulher deve ir ao pronto-socorro sem esperar consulta. Em idade fértil, o teste de gravidez é sempre o primeiro passo.
Depois da menopausa, qualquer sangramento exige avaliação, porque o médico precisa descartar o câncer de endométrio. Já o sangramento com dor pélvica forte em uma mulher que pode estar grávida também pede atendimento imediato.
Procure um ginecologista quando o ciclo ficar menor que 24 dias ou maior que 38 dias, a menstruação passar de 8 dias ou ficar muito intensa, ou houver sangramento fora do ciclo. Para encontrar um profissional, consulte os ginecologistas cadastrados na plataforma MedGuias e veja opções de atendimento presencial e por telemedicina em diferentes cidades do Brasil.
A consulta também vale para quem tem cansaço, palidez e tontura junto com menstruação volumosa, e para adolescentes que passam de 3 meses sem menstruar. Quanto mais cedo a investigação começa, mais simples costuma ser o tratamento do sangramento uterino anormal.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Depende da causa. Pólipos, miomas e distúrbios da ovulação têm tratamento, e a maioria das mulheres melhora. O médico define o plano conforme a causa, a idade e o desejo de engravidar.
Coágulos pequenos podem aparecer nos dias de fluxo mais intenso. Coágulos maiores que 2,5 cm, ou a troca frequente de absorvente, indicam volume aumentado e justificam consulta.
Não costuma ser. Escapes podem ocorrer nos primeiros meses de um anticoncepcional hormonal, mas o sangramento fora do ciclo deve passar por avaliação, principalmente depois dos 45 anos.
Pode, mas a maioria das causas é benigna. O risco de câncer de endométrio pesa mais depois dos 45 anos e na pós-menopausa, e por isso essas mulheres fazem investigação mais completa.