Especialidades médicas
Mioma uterino: quando só se acompanha, quando se trata e por que a localização muda tudo
Mioma uterino é um tumor benigno muito comum: até 80% das mulheres desenvolvem ao menos um até a menopausa, mas só uma...
O corrimento vaginal é a secreção produzida pelas paredes da vagina e pelo colo do útero, que mantém a região lubrificada e protegida e muda de aspecto ao longo do ciclo menstrual. Quando ganha cor, cheiro ou volume diferentes do habitual, ou vem com coceira e ardor, costuma indicar desequilíbrio da flora vaginal ou infecção.
A maior parte dos casos que levam à consulta vem de três causas: vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase. Como o aspecto da secreção é parecido entre elas, adivinhar a causa em casa é a principal razão de o problema voltar.
Corrimento normal é claro ou esbranquiçado, sem cheiro forte e sem coceira, e varia com o ciclo: fica mais fluido e elástico perto da ovulação, mais espesso depois dela e aumenta na gravidez, com o uso de alguns métodos hormonais e na excitação sexual. O que muda o quadro é o desconforto associado e a alteração súbita.
Vale atenção quando aparece qualquer um destes sinais:
Esses sinais não dizem qual é a causa. Indicam apenas que o equilíbrio da vagina mudou e que vale uma avaliação.
A vaginose bacteriana, a candidíase e a tricomoníase respondem pela maior parte dos corrimentos patológicos, entre 70% e 90% dos casos, segundo o Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde. A vaginose bacteriana é a mais frequente, e só a tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível.
| Aspecto do corrimento | Causa mais provável |
|---|---|
| Branco, grumoso, com coceira intensa | Candidíase |
| Acinzentado, fino, com cheiro de peixe | Vaginose bacteriana |
| Amarelo-esverdeado, espumoso, com ardor ao urinar | Tricomoníase |
| Amarelado, com dor pélvica ou sangramento após a relação | Cervicite (clamídia ou gonorreia) |
| Escasso, com ardor e dor na relação, após a menopausa | Vaginite atrófica |
A candidíase é causada por fungo e não é IST. Estima-se que cerca de 75% das mulheres tenham ao menos um episódio ao longo da vida, e cerca de metade volta a ter. A vaginose bacteriana ocorre quando os lactobacilos que protegem a vagina dão lugar a outras bactérias. A tricomoníase é causada por um parasita transmitido pelo sexo e facilita a aquisição do HIV, por isso o parceiro também precisa ser tratado.
Existem ainda causas que não são infecção comum: ressecamento após a menopausa, corpo estranho esquecido na vagina, como um absorvente interno, e irritação por sabonetes perfumados e duchas. A cervicite por clamídia ou gonorreia pode causar corrimento sem sintoma vaginal nenhum. Quando o colo do útero aparece inflamado ou alterado, o ginecologista pode indicar a colposcopia para examinar o colo do útero.
Porque causas diferentes produzem corrimentos parecidos, e é comum haver mais de uma ao mesmo tempo, o que se chama vaginite mista. Uma candidíase pode coexistir com vaginose, e um tratamento que cobre só uma delas deixa a outra ativa. Por isso a avaliação inclui exame físico e testes simples feitos no consultório ou no laboratório.
| Teste | O que mostra |
|---|---|
| pH vaginal | Acima de 4,5 sugere vaginose ou tricomoníase; pH normal é compatível com candidíase |
| Teste das aminas | Odor de peixe ao adicionar reagente à secreção sugere vaginose |
| Microscopia a fresco | Hifas indicam candidíase, parasita móvel indica tricomoníase e células-chave (clue cells) sugerem vaginose |
| Critérios de Amsel | Vaginose confirmada quando 3 de 4 critérios estão presentes |
| Bacterioscopia pelo Gram (escore de Nugent) | Classifica a flora quando a microscopia a fresco não basta |
| Pesquisa de clamídia e gonorreia | Investiga cervicite quando há sinais compatíveis |
O Papanicolau, sozinho, não serve para investigar corrimento: ele rastreia lesões do colo do útero. A investigação da secreção depende de testes próprios, que podem ser feitos em serviços de exames especializados quando o consultório não dispõe deles.
Porque o antifúngico usado sem diagnóstico não age sobre bactérias nem sobre o parasita, e o tratamento para vaginose não age sobre fungo. Em muitos casos o corrimento melhora de forma parcial, volta em poucos dias e mascara o quadro, atrasando o tratamento correto e favorecendo a recorrência.
Outros erros comuns pioram o desequilíbrio da flora: duchas vaginais, sabonetes perfumados e uso contínuo de protetores diários. Nas infecções sexualmente transmissíveis, o parceiro precisa ser avaliado e as relações sem preservativo devem ser evitadas até o fim do tratamento, ou a infecção volta.
Quando a candidíase se repete quatro vezes ou mais no ano, a investigação vai além da vagina. Diabetes mal controlado, uso frequente de antibióticos e alterações do sistema imunológico estão entre os fatores a descartar, e o clínico geral para investigar a causa do problema recorrente costuma entrar na conversa. Na gestação, o tratamento tem regras próprias e depende sempre da avaliação do pré-natal.
Procure avaliação quando o corrimento mudar de cor, cheiro ou volume, vier com coceira, ardor ou dor, ou voltar após tratamento. Para encontrar um profissional, consulte os ginecologistas cadastrados na plataforma MedGuias e veja opções de atendimento presencial e por telemedicina em diferentes cidades do Brasil.
A consulta deve ser mais rápida quando o corrimento aparece na gravidez, vem com sangramento fora da menstruação, com feridas na região genital ou com sintomas no parceiro. Corrimento que reaparece três ou mais vezes em poucos meses também pede investigação.
Dor pélvica intensa ou súbita, febre ou mal-estar junto com o corrimento exigem atendimento no mesmo dia, em pronto atendimento. Podem indicar uma infecção que atingiu o útero e as trompas, e o médico pode pedir uma ultrassonografia pélvica para avaliar o quadro.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Não. A vagina produz secreção o tempo todo, e ela muda ao longo do ciclo menstrual. Corrimento claro, sem cheiro e sem coceira costuma ser normal. A atenção vai para mudanças de cor, odor ou consistência e para sintomas associados.
Depende da causa. Candidíase e vaginose bacteriana não são consideradas IST. Tricomoníase, clamídia e gonorreia são transmitidas pelo sexo e exigem tratamento também do parceiro.
Não é recomendado. Sem identificar a causa, o produto pode não agir sobre o problema real, mascarar o quadro e atrasar o diagnóstico. A avaliação com exame define qual tratamento é o indicado.
Sim, o aumento é comum por causa das mudanças hormonais. Mas alteração de cor, cheiro ou coceira deve ser levada ao pré-natal, porque algumas infecções precisam de tratamento durante a gestação.