Os brasileiros fizeram 132,5 milhões de buscas no Google por médicos especialistas entre junho de 2025 e maio de 2026: 363 mil por dia. O levantamento inédito da MedGuias mapeou, mês a mês, a procura por 53 especialidades médicas reconhecidas pelo CFM e montou o primeiro Calendário da Saúde baseado no que o brasileiro realmente pesquisa.
Os dados mostram que a saúde tem estações. Janeiro é o mês em que o país mais procura médicos, com 11,9 milhões de buscas. Dezembro é o mês em que menos procura: 9 milhões, 18% abaixo da média. O inverno empurra a busca por pneumologista, otorrino e proctologista. E as campanhas de cor do calendário oficial têm efeitos muito diferentes: o Outubro Rosa leva a procura por mastologista ao pico do ano, enquanto o Novembro Azul não mexe na busca por urologista.
Os principais números
132,5 milhões de buscas por especialistas em 12 meses (média de 11 milhões por mês).
Oftalmologista é a especialidade mais procurada: 14,2 milhões de buscas no ano, ou 1,2 milhão por mês.
Três especialidades (oftalmologia, ginecologia e dermatologia) concentram 27% de toda a procura.
Janeiro tem 32% mais buscas por médico do que dezembro.
37 das 53 especialidades têm em dezembro o pior mês do ano.
+29%: salto na busca por mastologista em outubro, o maior efeito de uma campanha de conscientização no calendário.
-4%: variação da busca por urologista em novembro, mês do Novembro Azul.
As especialidades mais procuradas
Oftalmologista lidera o ranking, com 14,2 milhões de buscas em 12 meses, à frente de ginecologista (11,8 milhões) e dermatologista (9,9 milhões). As 12 primeiras especialidades passam de 5,9 milhões de buscas cada e somam 77% de toda a procura.
Fonte: levantamento MedGuias com dados do Semrush, Brasil, jun/2025 a mai/2026
A liderança da oftalmologia acompanha a rotina: exame de vista para óculos, renovação da CNH e consultas de rotina de todas as idades. Na outra ponta, especialidades de alta complexidade, como cirurgia torácica, cardiovascular e oncológica, ficam abaixo de 5 mil buscas por mês cada: são especialistas aos quais o paciente costuma chegar por encaminhamento, e não pelo Google.
Janeiro: o mês da consulta adiada
Janeiro é o mês de pico para 12 das 53 especialidades, incluindo as cinco mais buscadas do país. Passadas as festas, o brasileiro volta ao médico: a procura total sobe de 9 milhões em dezembro para 11,9 milhões em janeiro.
O movimento é mais forte nas especialidades ligadas a corpo, pele e check-up de início de ano:
Especialidade
Variação em janeiro (vs. média do ano)
Cirurgia vascular
+43%
Fisiatria (medicina física e reabilitação)
+33%
Neurocirurgia
+28%
Angiologia
+26%
Endocrinologia
+20%
Dermatologia
+17%
Ginecologia e obstetrícia
+16%
Cirurgia plástica
+16%
Na endocrinologia, a busca por “endocrinologista + convênio” sobe 45% em janeiro. O dado sugere a combinação de resoluções de Ano-Novo (emagrecer, cuidar da tireoide e do diabetes) com a renovação do ano no plano de saúde.
Angiologia e cirurgia vascular, as especialidades das varizes, chegam ao pico no auge do verão, quando as pernas ficam mais expostas. A medicina do trabalho também acelera: a procura fica 14% acima da média de janeiro a março, temporada de contratações e exames admissionais, e cai 22% em novembro.
Inverno: a estação do pulmão, do nariz e do intestino
O frio muda o mapa da procura: entre junho e agosto, 17 especialidades atingem o pico do ano. É a temporada de gripes, sinusites e crises respiratórias, mas também de queixas digestivas e dores nas articulações.
Especialidade
Mês de pico
Variação (vs. média do ano)
Pneumologia
junho
+32%
Coloproctologia
agosto
+30%
Gastroenterologia
julho
+16%
Reumatologia
julho
+16%
Otorrinolaringologia
julho
+14%
Neurologia
julho
+14%
Urologia
julho
+10%
A pneumologia é a especialidade mais “invernal” do calendário: a procura em junho é 32% maior que a média e despenca 24% em dezembro.
O arquivo de alergia mostra o mesmo relógio climático de um jeito curioso. As buscas por “alergia ao frio” chegam a três vezes a média em junho e julho. Já “alergia ao calor” dispara em dezembro, com 2,4 vezes a média.
Dezembro: o mês em que o Brasil esquece do médico
Dezembro é o pior mês do ano para 37 das 53 especialidades. A procura total cai para 9 milhões de buscas, 18% abaixo da média mensal e o menor volume dos 12 meses.
Fonte: levantamento MedGuias com dados do Semrush, Brasil, jun/2025 a mai/2026
As maiores quedas em dezembro aparecem em coloproctologia (-27%), clínica médica (-27%), nefrologia (-26%), alergia e imunologia (-25%), pneumologia (-24%) e reumatologia (-24%). Nem a pediatria escapa: a busca por pediatra cai 16% no mês das férias escolares.
O vale tem efeito rebote. Em janeiro, a procura total sobe 32% em relação a dezembro, puxada pelas mesmas especialidades que mais caíram. Para clínicas e profissionais de saúde, o dado indica que a agenda de janeiro começa a ser disputada ainda nas últimas semanas do ano.
Meses coloridos: qual campanha leva o brasileiro ao médico
Das cinco campanhas de conscientização analisadas, só o Outubro Rosa leva a procura pelo especialista ao pico do ano. As outras quatro têm efeito pequeno, nulo ou até negativo sobre a busca pelo médico da causa.
Campanha
Especialista da causa
Variação no mês (vs. média do ano)
Outubro Rosa (câncer de mama)
Mastologista
+29% (pico do ano)
Setembro Amarelo (prevenção do suicídio)
Psiquiatra
+6%
Janeiro Branco (saúde mental)
Psiquiatra
0%
Novembro Azul (saúde do homem)
Urologista
-4%
Dezembro Vermelho (HIV e ISTs)
Infectologista
-12%
Outubro Rosa funciona, mas para a mama, não para o câncer em geral. A busca por mastologista sobe 29% em outubro, enquanto a procura por oncologista clínico varia só 2% no mesmo mês. A campanha leva a mulher ao exame de rastreamento, não ao tratamento.
Novembro Azul não aparece na busca. Mesmo com a campanha, a procura por urologista em novembro fica 4% abaixo da média. O pico da urologia é em julho. O dado reforça o desafio de levar o homem ao consultório.
Na saúde mental, a busca não segue o calendário. Setembro Amarelo tem efeito modesto (+6%) e Janeiro Branco não mexe na procura por psiquiatra. O pico da psiquiatria é em maio (+9%).
Dezembro Vermelho perde para as festas. A busca por infectologista cai 12% em dezembro, acompanhando o vale geral do mês.
Curiosidades do levantamento
Nutrólogo ou nutricionista? O brasileiro ainda confunde os dois
Cerca de 39 mil buscas por mês misturam os dois termos, em geral perguntando qual é a diferença entre eles. O nutrólogo é médico; o nutricionista, não. Só as buscas pelo médico entraram na conta da nutrologia (124,6 mil por mês).
O médico que as pessoas procuram sem precisar dele
A busca por médico legista soma 19,2 mil por mês, mais do que medicina esportiva e medicina intensiva juntas. Quase nada é procura de paciente: são curiosidade, séries de TV e interesse pela carreira.
Todo mundo conhece a UTI, pouca gente conhece o intensivista
“UTI” sozinha tem 22 mil buscas por mês. O médico que trabalha lá, o intensivista, tem 8,3 mil.
Exame admissional movimenta a medicina do trabalho
Além das 39,8 mil buscas mensais pelo médico do trabalho, outras 18 mil procuram “exame admissional” sem citar o médico.
Radiologia tem o pico mais tardio entre as grandes
A busca por radiologista e clínicas de radiologia cresce ao longo do primeiro semestre e chega ao máximo em maio (+23%).
O Calendário da Saúde
Cada mês do ano tem especialidades em alta. A tabela mostra, para cada mês, as especialidades que ficam pelo menos 10% acima da própria média anual (entre as que têm mais de 20 mil buscas por mês).