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Tendinopatias do quadril (síndrome dolorosa do grande trocânter): entenda DE FATO o que é.

Publicado em 03/07/2026 às 11:36, por: GABRIEL SEVERO

O que é a síndrome dolorosa do grande trocânter?

A síndrome dolorosa do grande trocânter (SDGT) é uma das causas mais frequentes de dor no quadril, caracterizada por dor na região lateral da articulação.

Embora frequentemente chamada de “bursite trocantérica”, atualmente sabemos que, na maioria dos casos, o problema está muito relacionado a tendinopatias dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo, responsáveis pela estabilização da pelve.

Ou seja, trata-se de uma condição associada à sobrecarga e disfunção muscular, e não apenas a um processo inflamatório isolado, seja do tendão ou da bursa.

Como o quadril participa diretamente da estabilidade da pelve e da marcha, alterações nesse sistema podem impactar significativamente o conforto e a funcionalidade no dia a dia.

Por que a tendinopatia do quadril acontece?

A SDGT é uma condição multifatorial, relacionada principalmente à sobrecarga aos tendões e alterações da mecânica do quadril. Entre os fatores mais importantes estão:

  • Sobrecarga repetitiva.
  • Fraqueza dos músculos abdutores do quadril.
  • Alterações no padrão de marcha.
  • Desequilíbrios musculares.
  • Aumento da compressão dos tendões contra o grande trocânter.

Do ponto de vista epidemiológico, é mais comum em:

  • Mulheres entre 40 e 60 anos.
  • Pacientes com sobrepeso.
  • Indivíduos com patologia lombar associada.
  • Pessoas com alterações biomecânicas dos membros inferiores.
  • Alterações hormonais (menopausa, hipotireoidismo, entre outras).

Assim como em outras condições do quadril, o aparecimento da dor costuma estar relacionado à interação entre carga, função muscular e controle biomecânico.

Sintomas da tendinopatia do quadril

O sintoma mais característico é a dor na lateral do quadril, sobre a região do grande trocânter. Outros sintomas comuns incluem:

  • Dor ao deitar sobre o lado afetado.
  • Sensibilidade local ao toque.
  • Dor ao levantar-se, caminhar ou subir escadas.
  • Irradiação da dor para a face lateral da coxa.

Tendinopatia do quadril tem cura?

Sim! As tendinopatias do quadril são condições absolutamente tratáveis, embora geralmente exijam um tratamento progressivo, com seguimento e participação ativa do paciente, podendo apresentar períodos de oscilação dos sintomas ao longo do processo. Na maioria dos casos, porém, apresentam boa evolução com tratamento adequado.

O objetivo do tratamento é:

  • Reduzir a dor inicialmente.
  • Restaurar a função muscular.
  • Corrigir a sobrecarga.
  • Evitar recorrência dos sintomas.

Quando bem conduzido, o tratamento pode levar à resolução completa ou controle duradouro dos sintomas.

Tratamento da síndrome dolorosa do grande trocânter

O tratamento conservador tem como princípio central não apenas tratar a dor, mas reduzir a sobrecarga compressiva sobre os tendões e restaurar a função do sistema musculoesquelético do quadril.

Controle de carga e modificação de hábitos – Especialmente aqueles que aumentam a compressão lateral do quadril.

Reabilitação muscular direcionada – O foco não deve ser apenas no fortalecimento isolado dos abdutores, mas sim na reorganização de toda a cadeia cinética (glúteo máximo, core, estabilidade lombo-pélvica, além do controle neuromuscular em tarefas funcionais como marcha e subida de escadas).

Progressão de carga – Evolução de exercícios isométricos → concêntricos → excêntricos e adaptação individual conforme resposta do paciente. O erro mais comum é tanto o excesso quanto a falta de carga.

Terapias complementares – Podem ser utilizadas em casos selecionados:
Ondas de choque e infiltrações (com critério e indicação adequada).
Essas estratégias auxiliam, mas não substituem a reabilitação.

O tempo de evolução costuma ser um fator ansiogênico para o paciente e deve ser orientado pelo especialista, já que a melhora costuma ocorrer de forma progressiva, ao longo de semanas a meses, dependendo da gravidade e da adesão ao tratamento.

O tratamento cirúrgico raramente necessário, indicado em casos específicos e refratários, ou quando associados a grandes rupturas.
O momento certo de avaliar faz diferença

Muitas vezes, a queixa de dor lateral do quadril é menosprezada e tratada de forma inespecífica, o que pode levar à recorrência. A avaliação, quando realizada por cirurgião especializado, permite:

  • Identificar a causa real da dor.
  • Diferenciar de outras patologias do quadril.
  • Direcionar o tratamento correto.
  • Acelerar a recuperação.

Escrito por: GABRIEL SEVERO
Especialista em Ortopedia e Traumatologia
CRM-RS 37851 / RQE 32092

GABRIEL SEVERO
GABRIEL SEVERO
2 publicações

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