Medicina
GABRIEL SEVERO
Artrose do quadril: causas, sintomas e tratamentos modernos
A artrose do quadril, também chamada de coxartrose, é uma doença degenerativa da articulação do quadril caracterizada...
O que é a síndrome dolorosa do grande trocânter?
Embora frequentemente chamada de “bursite trocantérica”, atualmente sabemos que, na maioria dos casos, o problema está muito relacionado a tendinopatias dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo, responsáveis pela estabilização da pelve.
Ou seja, trata-se de uma condição associada à sobrecarga e disfunção muscular, e não apenas a um processo inflamatório isolado, seja do tendão ou da bursa.
Como o quadril participa diretamente da estabilidade da pelve e da marcha, alterações nesse sistema podem impactar significativamente o conforto e a funcionalidade no dia a dia.
A SDGT é uma condição multifatorial, relacionada principalmente à sobrecarga aos tendões e alterações da mecânica do quadril. Entre os fatores mais importantes estão:
Assim como em outras condições do quadril, o aparecimento da dor costuma estar relacionado à interação entre carga, função muscular e controle biomecânico.
O sintoma mais característico é a dor na lateral do quadril, sobre a região do grande trocânter. Outros sintomas comuns incluem:
Sim! As tendinopatias do quadril são condições absolutamente tratáveis, embora geralmente exijam um tratamento progressivo, com seguimento e participação ativa do paciente, podendo apresentar períodos de oscilação dos sintomas ao longo do processo. Na maioria dos casos, porém, apresentam boa evolução com tratamento adequado.
Quando bem conduzido, o tratamento pode levar à resolução completa ou controle duradouro dos sintomas.
O tratamento conservador tem como princípio central não apenas tratar a dor, mas reduzir a sobrecarga compressiva sobre os tendões e restaurar a função do sistema musculoesquelético do quadril.
Controle de carga e modificação de hábitos – Especialmente aqueles que aumentam a compressão lateral do quadril.
Reabilitação muscular direcionada – O foco não deve ser apenas no fortalecimento isolado dos abdutores, mas sim na reorganização de toda a cadeia cinética (glúteo máximo, core, estabilidade lombo-pélvica, além do controle neuromuscular em tarefas funcionais como marcha e subida de escadas).
Progressão de carga – Evolução de exercícios isométricos → concêntricos → excêntricos e adaptação individual conforme resposta do paciente. O erro mais comum é tanto o excesso quanto a falta de carga.
Terapias complementares – Podem ser utilizadas em casos selecionados:
Ondas de choque e infiltrações (com critério e indicação adequada).
Essas estratégias auxiliam, mas não substituem a reabilitação.
O tempo de evolução costuma ser um fator ansiogênico para o paciente e deve ser orientado pelo especialista, já que a melhora costuma ocorrer de forma progressiva, ao longo de semanas a meses, dependendo da gravidade e da adesão ao tratamento.
O tratamento cirúrgico raramente necessário, indicado em casos específicos e refratários, ou quando associados a grandes rupturas.
O momento certo de avaliar faz diferença
Muitas vezes, a queixa de dor lateral do quadril é menosprezada e tratada de forma inespecífica, o que pode levar à recorrência. A avaliação, quando realizada por cirurgião especializado, permite:
Escrito por: GABRIEL SEVERO
Especialista em Ortopedia e Traumatologia
CRM-RS 37851 / RQE 32092