Neurologia
ISABELLA D’ANDREA
O que é epilepsia?
Uma doença que atinge pessoas de diversas idades e pode ter diferentes causas: saiba como identificar os sintomas e os...
A epilepsia fotossensível está presente em cerca de 3% das pessoas com epilepsia. Para quem tem fotossensibilidade, algumas situações corriqueiras podem apresentar gatilhos para crises, como ir ao cinema, a uma festa, assistir à TV ou jogar videogame.
Neste artigo, você vai entender que é a epilepsia fotossensível e conferir alguns cuidados que os portadores dessa condição devem tomar para evitar a exposição aos fatores desencadeantes mais comuns.
A epilepsia fotossensível é um tipo de epilepsia reflexa, o que significa que a crise é desencadeada por um estímulo externo. Em outros casos, alterações de padrões luminosos podem contribuir como um gatilho para crises em pacientes com outros tipos de epilepsia, como na epilepsia mioclônica juvenil. No caso da fotossensibilidade, os gatilhos envolvem frequências rápidas de luz intermitente, oscilação de cores contrastantes e alguns padrões visuais.
É comum que uma pessoa descubra que possui epilepsia após uma crise desencadeada pela fotossensibilidade. Apesar de esse ser um gatilho importante, vale ressaltar que as pessoas também podem apresentar crises na ausência desse estímulo.
Isso porque a uma epilepsia fotossensível pura, ou seja, causada exclusivamente por estímulos de luz é rara. Normalmente, a fotossensibilidade é uma condição presente em pacientes que acabam sendo diagnosticados com outros tipos de epilepsia.
Existem alguns tipos de epilepsia que possuem uma associação mais frequente à fotossensibilidade, como a epilepsia mioclônica juvenil e as epilepsias occipitais. Há casos, como na síndrome de Jeavons, em que a fotossensibilidade pode desencadear crises de ausência e desvio de pálpebras já em crianças de 5 a 8 anos de idade.
Porém, o mais comum é que a a epilepsia fotossensível comece a se manifestar na puberdade, entre os 10 e 15 anos, com prevalência entre indivíduos do sexo feminino.
Os sintomas da epilepsia fotossensível são os mesmos de qualquer tipo de epilepsia, ou seja, começam com uma crise de epilepsia.
Normalmente, as crises de epilepsia fotossensível são do tipo generalizada, ou seja, podem ser crises tônico-clônicas (convulsivas), crises de ausência ou crises de mioclonias (pequenos choques ou “sustinhos”).
O diagnóstico da epilepsia é feito a partir do histórico do paciente, da descrição das crises e de exames como o eletroencefalograma.
É de grande ajuda levar à consulta pessoas que presenciaram a crise para uma descrição mais detalhada de como ela ocorreu. Além disso, é importante relatar com detalhes o ambiente e a situação da pessoa durante a crise.
Normalmente, crises de epilepsia fotossensível ocorrem imediatamente após a exposição ao gatilho, o que torna mais fácil o seu diagnóstico. É possível, inclusive, realizar testes com estímulos luminosos durante o exame de eletroencefalograma.
O tratamento da epilepsia fotossensível costuma ser medicamentoso e vai de acordo com o tipo de epilepsia à qual essa condição está associada.
Além disso, é recomendado que a pessoa evite se expor a situações que trazem gatilhos de fotossensibilidade. A seguir, você confere as mais comuns.
Além de evitar esses gatilhos, é importante que a pessoa mantenha um estilo de vida equilibrado para evitar outros gatilhos para crises epilépticas, como o uso de álcool, a privação de sono e o uso inadequado de medicamentos.
Escrito por: Dra. Isabella D’Andrea
Neurologista Especialista em Epilepsia
CRM-RJ 52-626953 | RQE 38615 | RQE 38616