Psiquiatria
DRA. CÉLIA MENDES
Psiquiatra ou Psicólogo: Qual profissional procurar?
Psiquiatra ou Psicólogo: Qual profissional procurar? Descubra as diferenças entre psiquiatria e psicologia e saiba...
Quando pensamos em uma consulta psiquiátrica, muitas pessoas imaginam uma conversa rápida seguida da prescrição de um medicamento. Embora os medicamentos possam ser uma ferramenta importante em muitos casos, a Psiquiatria Integrativa propõe um caminho muito mais amplo: compreender o ser humano em toda a sua complexidade.
Sua história, seus relacionamentos, sua forma de viver, seus valores, sua alimentação, seu sono, seu corpo e suas emoções influenciam diretamente sua saúde mental. Por isso, na Psiquiatria Integrativa, o foco não está apenas em identificar sintomas, mas em compreender quem é a pessoa que está vivendo aquele sofrimento.
A consulta começa pela escuta. Antes de qualquer diagnóstico, existe uma história que precisa ser conhecida. Conversamos sobre o motivo da procura por ajuda, mas também sobre a trajetória de vida, os acontecimentos marcantes, as relações familiares, o trabalho, as perdas, os sonhos, os medos e os recursos que cada pessoa desenvolveu ao longo da vida. Mais do que perguntar :“o que você tem?”, buscamos compreender: “o que aconteceu com você?” e “como você tem vivido essa experiência?”.
A ciência demonstra, cada vez mais, que saúde física e saúde mental caminham juntas. Durante a consulta, avaliamos diversos aspectos que podem estar contribuindo para o sofrimento emocional, como:
● qualidade do sono;
● alimentação;
● prática de atividade física;
● níveis de estresse;
● doenças clínicas;
● alterações hormonais;
● uso de medicamentos;
● consumo de álcool e outras substâncias;
● exames laboratoriais, quando necessários.
Muitas vezes, sintomas como ansiedade, desânimo, irritabilidade ou dificuldade de concentração podem estar relacionados a fatores biológicos que precisam ser investigados e tratados.
Na Psiquiatria Integrativa, o tratamento também inclui hábitos que promovem saúde. Quando indicado, orientamos mudanças no estilo de vida, como:
● melhoria da qualidade do sono;
● alimentação equilibrada;
● prática regular de exercícios físicos;
● técnicas de manejo do estresse;
● meditação e práticas de atenção plena;
● fortalecimento das relações sociais;
● contato com a natureza;
● atividades que tragam sentido e prazer para a vida.
Essas intervenções não substituem os tratamentos médicos quando eles são necessários, mas podem potencializar significativamente os resultados.
Existe um mito de que a Psiquiatria Integrativa é contra medicamentos. Isso não é verdade. Os medicamentos psiquiátricos são recursos valiosos e, em muitas situações, fundamentais para aliviar o sofrimento e permitir que a pessoa recupere sua qualidade de vida. A diferença está na forma de utilizá-los: eles fazem parte de um plano terapêutico mais amplo, individualizado e construído em conjunto com o paciente. Sempre que possível, buscamos utilizar a menor dose eficaz e reavaliar continuamente a necessidade do tratamento.
Na consulta integrativa, o paciente participa ativamente das decisões sobre seu tratamento. Conversamos sobre as diferentes possibilidades terapêuticas, esclarecemos dúvidas, discutimos benefícios e limitações de cada abordagem e construímos um plano que faça sentido para aquela pessoa e para o momento que ela está vivendo. Acreditamos que o tratamento é mais eficaz quando existe vínculo, confiança e corresponsabilidade.
A saúde mental não depende apenas da ausência de sintomas. Ela envolve bem-estar, capacidade de enfrentar desafios, cultivar relacionamentos saudáveis, encontrar propósito e viver com mais equilíbrio. Por isso, a Psiquiatria Integrativa busca olhar para o ser humano em sua dimensão biológica, psicológica, social, espiritual e existencial, respeitando sua singularidade e valorizando seus recursos internos para a recuperação. Mais do que tratar doenças, nosso objetivo é promover saúde, autonomia e qualidade de vida.
Cada consulta representa uma oportunidade de compreender melhor a si mesmo. O tratamento não acontece apenas através de uma receita médica, mas também por meio da escuta, do autoconhecimento, das mudanças de hábitos, do fortalecimento dos vínculos e da construção de novas formas de viver. Afinal, cuidar da saúde mental é cuidar da vida em sua totalidade.
Escrito por: Dra. Célia Mendes
Especialista em Psiquiatria
CRM-SC 14814 | RQE 13260