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Atendimento psicológico a mulheres vítimas de relacionamento abusivo: uma abordagem baseada em evidências

Publicado em 21/07/2026 às 17:53, por: ALESSANDRA BOTELHO

Entenda o papel da psicologia na superação do relacionamento abusivo e da violência psicológica, fortalecendo a autonomia e a recuperação emocional da mulher.

Introdução

A Organização Mundial da Saúde reconhece a violência por parceiro íntimo como um importante problema de saúde pública. A violência psicológica frequentemente antecede agressões físicas e pode manifestar-se por controle, isolamento, humilhação, manipulação, intimidação e desvalorização contínua. Muitas mulheres demoram a reconhecer o caráter abusivo da relação devido à complexidade emocional, econômica, familiar e social envolvida. A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender essa dinâmica, reconstruir a autonomia e fortalecer estratégias de proteção.

Fundamentação teórica

Lenore Walker descreveu o ciclo da violência, composto por tensão crescente, episódio de agressão e fase de aparente reconciliação, explicando por que muitas vítimas permanecem na relação. Aaron Beck demonstra que crenças disfuncionais como culpa, incapacidade e desesperança mantêm o sofrimento emocional, justificando o uso da TCC para reestruturação cognitiva. Salvador Minuchin destaca que padrões relacionais aprendidos ao longo da história familiar influenciam a forma como as pessoas estabelecem vínculos, sem atribuir culpa à família. Martin Seligman propõe que o fortalecimento de forças pessoais, esperança e sentido de vida favorece a recuperação após eventos traumáticos.

Desenvolvimento

A Terapia Cognitivo-Comportamental auxilia a identificar pensamentos automáticos, desenvolver habilidades de enfrentamento, regular emoções e fortalecer a autoestima. A Terapia Sistêmica amplia a compreensão das relações, investigando padrões de comunicação, fronteiras e expectativas que podem contribuir para a manutenção de vínculos prejudiciais. A Psicologia Positiva complementa o tratamento ao fortalecer recursos internos, promover resiliência, autocompaixão, propósito e reconstrução da identidade. O acompanhamento deve respeitar o tempo da paciente e considerar fatores de risco, rede de apoio e segurança.

Resultados possíveis e limites

Estudos demonstram redução de sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, melhora da autoestima, ampliação da autonomia e fortalecimento das habilidades de enfrentamento. Entretanto, a evolução depende das características individuais, da gravidade da violência, da existência de suporte social e, em alguns casos, da atuação conjunta com serviços de proteção, assistência social, rede jurídica e atendimento médico.

Considerações finais

O atendimento psicológico baseado em evidências permite compreender o sofrimento sem culpabilizar a vítima, favorecendo reconstrução emocional, autonomia e desenvolvimento de relações mais saudáveis. A integração entre TCC, Terapia Sistêmica Familiar e Psicologia Positiva oferece uma abordagem ampla, ética e centrada na pessoa.

Referências bibliográficas

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5-TR, 2022.
BECK, Judith S. Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond. 2021.
MINUCHIN, Salvador. Famílias: Funcionamento e Tratamento.
SELIGMAN, Martin E. P. Florescer.
WALKER, Lenore E. The Battered Woman Syndrome.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Violence against women.

Sobre a autora

Dra. Alessandra Madruga Botelho – Psicóloga Clínica – CRP 07/18402
Atua com Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia Sistêmica Familiar e Psicologia Positiva, oferecendo atendimento para mulheres, casais, famílias, crianças, adolescentes, adultos, idosos e pessoas neurodivergentes. Atendimento presencial em Canoas/RS e online para brasileiros no Brasil e exterior.

Este artigo possui finalidade de divulgação técnico-científica e não substitui avaliação psicológica individual ou atendimento por profissional habilitado. Não se trata de artigo científico publicado em periódico revisado por pares.

Escrito por: Dra. Alessandra Madruga Botelho
Especialista em Psicologia
CRP 07/18402

ALESSANDRA BOTELHO
ALESSANDRA BOTELHO
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Psicóloga Clínica Reconstruindo vínculos. Fortalecendo famílias. Transformando histórias. Mini currículo: Psicóloga com mais de 16 anos de experiência clínica e formação em Terapia Cognitivo-Comportamental, Psicologia Positiva e abordagens sistêmicas. Atua na psicoterapia de crianças, adolescentes, adultos e idosos, acompanhando...