Ginecologia e Obstetrícia
Ginecologia adolescente: quando fazer a primeira consulta e o que esperar
A ginecologia adolescente acompanha a menina da puberdade ao início da vida adulta, com conversa, orientação e, só...
O câncer do colo do útero é o tumor maligno que surge nas células da parte inferior do útero, a região que se liga à vagina, e que a infecção persistente por tipos de alto risco do HPV provoca na imensa maioria dos casos.
Segundo a estimativa 2026-2028 do INCA, o câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre as mulheres brasileiras, com cerca de 19 mil casos novos por ano. Em contrapartida, é um dos poucos cânceres que dá para prevenir com vacina e detectar cedo com exames simples.
O HPV, vírus transmitido por contato sexual, provoca quase todos os casos de câncer do colo do útero. A maioria das infecções some sozinha, mas, em algumas mulheres, o vírus de alto risco persiste por anos e transforma as células do colo, que evoluem para lesões pré-cancerosas e, depois, para o tumor.
Alguns fatores aumentam o risco de a infecção persistir e avançar:
Esse caminho costuma levar muitos anos, e é justamente essa lentidão que torna a prevenção tão eficaz.
Nas fases iniciais, o câncer do colo do útero costuma não causar sintomas, e é por isso que o rastreamento é tão importante. Quando os sinais aparecem, o mais comum é o sangramento vaginal fora da menstruação, após a relação sexual ou depois da menopausa, às vezes com corrimento de cheiro forte.
| Fase | Como costuma aparecer |
|---|---|
| Lesões pré-cancerosas | Em geral sem sintomas; só o exame preventivo detecta |
| Fase inicial | Pouco ou nenhum sintoma; pode surgir sangramento leve após a relação |
| Fase avançada | Sangramento frequente, corrimento com odor, dor pélvica ou lombar e alterações ao urinar ou evacuar |
Esses sinais também surgem em condições benignas, como infecções e pólipos, mas só o exame define a causa. Por isso, qualquer sangramento fora do padrão merece avaliação, e o corrimento com mau cheiro não deve esperar.
O rastreamento procura lesões antes dos sintomas e, no Brasil, o Ministério da Saúde o recomenda para mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram vida sexual. O exame tradicional é o Papanicolau, e o SUS está adotando, de forma gradual, o teste molecular de DNA-HPV, que pode ampliar o intervalo entre as consultas.
| Exame | Como funciona |
|---|---|
| Papanicolau | O médico colhe células do colo do útero, e o laboratório procura alterações ao microscópio |
| Teste de DNA-HPV | O laboratório procura o material genético do vírus em uma amostra colhida de forma parecida |
| Colposcopia | O médico examina o colo do útero com uma lente de aumento quando o exame preventivo vem alterado |
| Biópsia | O médico retira um pequeno fragmento do colo para confirmar o diagnóstico |
No Papanicolau, a mulher repete o exame depois de um ano e, se os dois resultados forem normais, passa a fazê-lo a cada três anos. Já o teste de DNA-HPV detecta 14 tipos do vírus e, segundo o Ministério da Saúde, permite ampliar o intervalo para até cinco anos quando o resultado é negativo. A meta do Ministério é levar o novo teste a todo o país até dezembro de 2026. Depois dos 64 anos, a mulher pode parar o rastreamento se tiver feito dois exames negativos nos últimos cinco anos, e quem nunca fez o exame deve começar mesmo assim.
Quando o resultado vem alterado, o ginecologista indica a colposcopia para examinar o colo do útero. Os exames preventivos e de confirmação também estão disponíveis em serviços de exames especializados.
A prevenção combina vacina, rastreamento e hábitos. A vacina contra o HPV protege contra os tipos que mais provocam o tumor e está no SUS, em dose única, para adolescentes de 9 a 14 anos. Além disso, usar camisinha, não fumar e fazer os exames regularmente reduzem o risco de forma importante.
Quem não tomou a vacina na idade indicada ainda pode procurar um serviço para conferir se tem direito à dose de resgate. Para atualizar a caderneta, vale consultar as vacinas disponíveis. A camisinha reduz o risco de HPV, mas não o elimina, porque o vírus também passa pelo contato com a pele da região genital. Mesmo vacinada, a mulher precisa manter o rastreamento, porque a vacina não protege contra todos os tipos de HPV.
O tratamento depende da fase. Lesões pré-cancerosas costumam exigir um procedimento simples, que retira a área alterada do colo e preserva o útero. Nos tumores iniciais, a cirurgia é a principal opção, enquanto nos mais avançados o tratamento combina radioterapia e quimioterapia, com acompanhamento da oncologia.
Quando o médico diagnostica o câncer do colo do útero cedo, a chance de cura é alta, e é por isso que o exame preventivo salva vidas. Em mulheres jovens com tumor inicial, às vezes é possível preservar a fertilidade, e vale conversar com um especialista em reprodução humana antes de começar o tratamento.
Procure um ginecologista para fazer o rastreamento a partir dos 25 anos e sempre que houver sangramento fora da menstruação, após a relação ou depois da menopausa. Para encontrar um profissional, consulte os ginecologistas cadastrados na plataforma MedGuias e veja opções de atendimento presencial e por telemedicina em diferentes cidades do Brasil.
Quem nunca fez o exame, ou fez há mais de três anos, também deve agendar. O câncer do colo do útero raramente dá sinais cedo, então esperar os sintomas significa chegar tarde. Já o sangramento intenso com tontura exige atendimento imediato.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Sim, principalmente quando o médico o descobre cedo. As lesões pré-cancerosas têm tratamento simples, e os tumores iniciais respondem bem à cirurgia. Por isso, o exame preventivo regular é a melhor forma de garantir um diagnóstico a tempo.
Não. A maioria das infecções some sozinha em até dois anos. O câncer só se desenvolve quando um tipo de alto risco persiste por muito tempo, e o exame preventivo acompanha esse processo.
Sim. A vacina protege contra os tipos mais perigosos, mas não contra todos, e as mulheres vacinadas devem seguir o rastreamento a partir dos 25 anos.
No Papanicolau, o intervalo é de três anos depois de dois exames anuais normais. No teste de DNA-HPV, o intervalo pode chegar a cinco anos. O ginecologista indica o melhor ritmo para cada caso.