pediatria
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Reconhecer desidratação infantil a tempo evita que um quadro simples de diarreia ou vômito evolua para algo que precisa de hospital. Desidratação infantil é a perda de água e eletrólitos do organismo, causada principalmente por diarreia aguda, vômitos ou febre alta, classificada em três graus — sem sinais, com sinais, ou desidratação grave — cada um exigindo uma conduta diferente.
O Ministério da Saúde atualizou, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Infectologia, o protocolo nacional de manejo da diarreia aguda, unificando critérios que antes divergiam entre as instituições. A base do tratamento em qualquer grau leve a moderado continua sendo a mesma: reidratação oral, feita cedo e de forma correta.
A seguir, como reconhecer os sinais de cada grau de desidratação, como usar o soro de reidratação oral em casa, o que evitar durante o tratamento, e quando o quadro exige avaliação hospitalar.
O primeiro grau não apresenta sinais de desidratação; o segundo mostra sinais como sede aumentada, boca seca, olhos fundos e menor elasticidade da pele; o terceiro, desidratação grave, inclui letargia, pulso fraco e diurese muito reduzida ou ausente. Essa classificação, adotada pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde, orienta diretamente a conduta.
| Sinal | Grau de desidratação sugerido |
|---|---|
| Sede normal, boca úmida, criança ativa | Sem sinais de desidratação |
| Sede aumentada, boca seca, olhos fundos, irritabilidade | Com sinais de desidratação |
| Letargia ou inconsciência, pulso fraco, extremidades frias | Desidratação grave |
| Diurese normal | Sem sinais de desidratação |
| Diurese reduzida | Com sinais de desidratação |
| Diurese muito reduzida ou ausente | Desidratação grave |
| Elasticidade da pele normal ao beliscar | Sem sinais de desidratação |
| Pele demora a voltar ao normal após beliscão suave | Com sinais a graves, conforme a demora |
Nenhum sinal isolado fecha o diagnóstico sozinho: a avaliação combina vários desses achados, e é por isso que a orientação de um profissional de saúde continua sendo importante mesmo em quadros que parecem leves no início.
Ofereça o soro de reidratação oral em pequenas quantidades, com colher ou copo — nunca em mamadeira —, após cada evacuação diarreica e após cada episódio de vômito, mesmo sem sinais de desidratação ainda presentes. Essa é a base do Plano A, o tratamento domiciliar recomendado pelo Ministério da Saúde para prevenir que a desidratação se instale.
Para bebês em aleitamento materno exclusivo, o soro de reidratação oral é o único líquido adicional que deve ser oferecido além do peito, e a amamentação deve continuar normalmente durante todo o episódio. A alimentação sólida, para crianças maiores, deve ser mantida na medida do possível, sem jejum prolongado.
Se a criança já apresenta sinais de desidratação, mas ainda consegue beber, a reidratação costuma ser feita na própria unidade de saúde, com volume calculado por peso e oferecido em pequenas quantidades a cada 10 ou 15 minutos, sob observação. Esse ajuste de volume e ritmo é feito pela equipe de saúde, não em casa.
Evite refrigerantes, sucos industrializados muito açucarados e bebidas esportivas como substitutos do soro de reidratação oral, porque a concentração de açúcar pode piorar a diarreia. Evite também suspender a alimentação da criança por tempo prolongado, e nunca improvise a receita do soro caseiro sem seguir a proporção correta de água, sal e açúcar.
O soro caseiro tradicional — feito em casa com medidas de sal e açúcar — pode ser usado como recurso temporário na ausência do soro industrializado, mas a proporção precisa ser exata, porque erro na diluição pode piorar o desequilíbrio de sódio no organismo da criança. Sempre que possível, prefira o envelope padronizado disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde.
Vômitos persistentes que impedem a reidratação oral têm manejo específico feito na unidade de saúde, incluindo medicação antiemética quando indicada pelo profissional que avalia a criança — não é conduta para ser iniciada em casa por conta própria.
Procure atendimento imediato diante de vômitos incoercíveis que impedem qualquer ingestão de líquido, diarreia com sangue, sede muito intensa, recusa total de alimentos e líquidos, letargia ou dificuldade para acordar a criança, e diurese muito reduzida ou ausente por várias horas.
Esses são os sinais de alerta que a própria diretriz do Ministério da Saúde lista como motivo de retorno urgente ao serviço de saúde.
| Sinal de alerta | Conduta indicada |
|---|---|
| Vômitos incoercíveis, sem tolerar líquidos | Pronto-socorro imediatamente |
| Diarreia com sangue nas fezes | Avaliação no mesmo dia |
| Sede muito intensa ou recusa total de líquidos | Pronto-socorro imediatamente |
| Letargia, sonolência excessiva ou dificuldade para acordar | Pronto-socorro imediatamente |
| Diurese ausente ou muito reduzida por várias horas | Pronto-socorro imediatamente |
| Piora da diarreia apesar do tratamento em casa | Avaliação no mesmo dia |
| Febre alta associada, em bebê pequeno | Avaliação no mesmo dia |
Em casos de desidratação grave, o tratamento é feito com reidratação por via endovenosa em ambiente hospitalar, com reavaliação contínua até a melhora. Esse tipo de conduta não tem equivalente seguro para ser feito em casa.
Procure avaliação sempre que o episódio persistir por mais de dois ou três dias, quando a criança tiver menos de seis meses, quando houver dúvida sobre o grau de desidratação, ou antes mesmo disso, para orientação sobre como usar corretamente o soro de reidratação oral desde o início do quadro.
O pediatra é quem avalia o grau de desidratação com segurança e decide entre tratamento em casa, na unidade de saúde ou internação. Para acompanhar a criança com o mesmo profissional, busque pediatras por cidade e convênio, com CRM e RQE informados em cada perfil.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Não é recomendado. Essas bebidas têm alta concentração de açúcar e podem piorar a diarreia. O soro de reidratação oral, com a composição correta de sais e glicose, é o que efetivamente repõe o que a criança está perdendo.
Os envelopes padronizados são distribuídos gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde e também são vendidos em farmácias. O soro caseiro pode ser uma alternativa temporária, desde que preparado na proporção exata.
Não. A amamentação deve continuar normalmente. Para bebês em aleitamento exclusivo, o soro de reidratação oral é o único líquido adicional recomendado além do leite materno.
Episódios que passam de dois a três dias, ou que vêm acompanhados de qualquer sinal de alerta, justificam avaliação médica antes desse prazo. Bebês com menos de seis meses devem ser avaliados mais cedo.