Oftalmologia
Hipermetropia: o que é, sintomas e como corrigir a visão
A Hipermetropia é um problema de visão que dificulta enxergar objetos próximos com nitidez. Muito comum em crianças e...
A cirurgia de catarata é o procedimento oftalmológico mais realizado no Brasil e um dos mais consolidados da medicina. Catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural do olho, que deixa a visão embaçada, reduz o contraste e aumenta o ofuscamento com luzes. Na maioria dos casos decorre do envelhecimento natural dessa lente.
A escala do procedimento explica sua importância. Segundo a pesquisa Demografia Médica no Brasil 2025, conduzida pela USP em parceria com a Associação Médica Brasileira e o Ministério da Saúde, foram realizados 1,8 milhão de procedimentos de catarata no país em 2024, dos quais 64% pelo SUS.
A seguir, quando a cirurgia é indicada, como ela é feita, como funciona a recuperação, quais riscos existem e como acessar o procedimento pela rede pública ou pelo plano.
A indicação surge quando a catarata começa a atrapalhar atividades da rotina — ler, dirigir, reconhecer rostos, descer escadas, caminhar em ambiente com pouca luz. Não é preciso esperar a catarata “amadurecer”: as técnicas atuais permitem operar antes da evolução avançada, e o adiamento não traz benefício.
| Sintoma ou dificuldade | Como costuma se manifestar |
|---|---|
| Visão embaçada que não melhora com óculos novos | Sensação de vidro sujo ou névoa constante |
| Ofuscamento com luzes | Faróis à noite incomodam muito mais que antes |
| Perda de contraste | Dificuldade para distinguir degraus e objetos de cor parecida |
| Troca frequente do grau dos óculos | Receita muda em intervalos curtos, sem estabilizar |
| Cores mais apagadas ou amareladas | Branco parece bege, cores perdem vivacidade |
| Visão dupla em um olho só | Imagem com sombra ou duplicada mesmo tampando o outro olho |
| Dificuldade para ler mesmo com boa iluminação | Leitura cansa rápido e exige mais luz que antes |
Não existe colírio, suplemento ou tratamento medicamentoso que reverta a catarata. Qualquer produto que prometa isso contraria o consenso da especialidade, e a única conduta com eficácia comprovada é cirúrgica.
Vale lembrar que a catarata também ocorre fora da terceira idade. A forma congênita aparece em recém-nascidos e é rastreada pelo teste do olhinho, motivo pelo qual os cuidados essenciais com a saúde ocular infantil incluem essa triagem ainda na maternidade.
A cirurgia remove o cristalino opaco e implanta uma lente intraocular em seu lugar. É feita em regime ambulatorial, com anestesia local em colírio ou injeção, sem necessidade de internação na maioria dos casos, e o tempo em sala costuma ser de 15 a 30 minutos por olho.
Antes do procedimento, o oftalmologista realiza exames de medida do olho para calcular o grau da lente que será implantada. Também é comum solicitar uma avaliação com clínico geral para verificar condições como pressão arterial e diabetes, que interferem na segurança do procedimento e na cicatrização.
A técnica padrão atual é a facoemulsificação. Por meio de uma incisão muito pequena, um aparelho de ultrassom fragmenta e aspira o cristalino opaco, e a lente artificial é inserida dobrada, abrindo-se dentro do olho. Na maior parte dos casos não há necessidade de pontos.
Quando os dois olhos têm catarata, a prática mais comum é operar um de cada vez, com intervalo entre os procedimentos definido pelo cirurgião conforme a recuperação do primeiro.
A lente intraocular é permanente e, na maioria dos casos, não precisa ser trocada. Existem tipos diferentes: a monofocal corrige a visão para uma distância, geralmente a de longe, e costuma manter a necessidade de óculos para leitura. Lentes multifocais e tóricas ampliam a correção e têm indicações e custos próprios.
A escolha depende do seu olho, do seu estilo de vida e da avaliação do cirurgião — não existe lente universalmente melhor. Vale perguntar, antes de decidir, o que cada opção corrige, do que você provavelmente ainda vai precisar de óculos e qual a diferença de valor.
A recuperação costuma ser rápida: muitos pacientes percebem melhora da visão em poucos dias, e atividades leves são retomadas logo. O uso de colírios prescritos, a proteção ocular e as consultas de revisão nos primeiros dias e semanas são o que sustenta esse resultado.
Nos primeiros dias, orientações habituais incluem evitar coçar ou apertar o olho, não entrar em piscina ou mar, evitar ambientes com poeira e fumaça, dormir com protetor quando indicado e suspender esforço físico intenso pelo período que o cirurgião determinar. Cada equipe tem seu protocolo, e vale seguir o que foi entregue por escrito.
A visão pode oscilar nas primeiras semanas, com sensação de areia ou leve embaçamento intermitente. Isso costuma ser esperado. A prescrição do grau definitivo de óculos, quando necessária, é feita só depois da estabilização, e só então faz sentido procurar óticas para a nova receita.
Uma ocorrência tardia comum é a opacificação da cápsula que sustenta a lente, meses ou anos depois, que devolve a sensação de visão embaçada. Não é “catarata que voltou” e se resolve em consultório, com aplicação de laser.
A cirurgia é segura e tem alta taxa de sucesso, mas, como todo procedimento invasivo, não é isenta de riscos. Complicações graves são raras, e o que mais importa para o paciente é reconhecer os sinais que exigem retorno imediato ao serviço, sem esperar a consulta de revisão agendada.
| Sinal de alerta no pós-operatório | Conduta indicada |
|---|---|
| Dor intensa no olho, que piora em vez de melhorar | Contato imediato com o cirurgião ou pronto-socorro oftalmológico |
| Piora súbita da visão após ter melhorado | Atendimento imediato |
| Vermelhidão intensa com secreção amarelada ou esbranquiçada | Atendimento imediato, para descartar infecção |
| Flashes de luz, chuva de pontos pretos ou sombra na periferia | Atendimento imediato, para descartar descolamento de retina |
| Olho muito sensível à luz, com dor e lacrimejamento importante | Avaliação no mesmo dia |
| Trauma ou pancada no olho operado | Avaliação no mesmo dia |
Na dúvida entre esperar e procurar atendimento, procure. No pós-operatório de olho, a diferença entre horas pode alterar o desfecho, e nenhum serviço considera excesso de cuidado um incômodo.
No SUS, o caminho começa na Unidade Básica de Saúde, que encaminha para avaliação oftalmológica e, confirmada a indicação, para a fila cirúrgica. O tempo de espera varia bastante por município e estado, e mutirões periódicos costumam acelerar o atendimento em algumas regiões.
Pelo plano de saúde, a cirurgia de catarata com lente monofocal tem cobertura obrigatória quando há indicação médica, conforme o Rol de Procedimentos da ANS. Lentes com recursos adicionais podem ter cobrança complementar, e vale confirmar com a operadora, por escrito e com protocolo, antes de agendar.
O acesso desigual é um problema reconhecido. Segundo o Censo Oftalmológico do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, cerca de 70% das cidades brasileiras não contam com oftalmologista, o que atrasa diagnóstico e encaminhamento em boa parte do país.
Procure avaliação diante de visão embaçada persistente, ofuscamento crescente com luzes, troca frequente do grau ou qualquer dificuldade nova em atividades cotidianas. Também vale a consulta de rotina periódica a partir dos 40 anos, porque catarata e glaucoma evoluem sem dor e sem aviso.
Entender o que faz um oftalmologista ajuda a chegar com as perguntas certas. Para localizar oftalmologistas por cidade e convênio, com CRM e RQE informados em cada perfil, a busca por localidade encurta boa parte do caminho.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por profissional habilitado.
Não. Não há colírio, medicamento ou suplemento que reverta a opacificação do cristalino. A cirurgia é o único tratamento com eficácia comprovada.
Não. As técnicas atuais permitem operar assim que a catarata começa a comprometer a rotina. Esperar não traz benefício e pode tornar o procedimento tecnicamente mais difícil.
Na maioria dos casos, não. A lente é permanente. O embaçamento que aparece meses ou anos depois costuma ser opacificação da cápsula, resolvida com laser em consultório.
Depende da lente escolhida e do seu olho. Com lente monofocal, é comum continuar usando óculos para leitura. A expectativa deve ser alinhada com o cirurgião antes do procedimento.