Transtorno do Espectro Autista: O que é essa doença emergente?
O autismo foi descrito em 1943 pelo psiquiatra Leo Kanner, nos Estados Unidos, quando ele analisou onze crianças que se isolavam de tudo. A ciência caminhou e descobriu que nenhum autista é idêntico. Cada pessoa com autismo é diferente da outra, existem muitos espectros da patologia, mas a dificuldade de socialização, isolamento e comunicação com outras pessoas é uma dificuldade comum. Nas terapias as pessoas treinam esse reconhecimento para melhorar sua relação com o mundo. E é dividido em graus: leve, moderado e grave.
Desde 2015 passou a ser chamado de TEA, Transtorno do Espectro Autista e vem se tornando uma patologia cada vez mais frequente e é considerada uma doença emergente. Sua incidência hoje é 1:40 crianças e continua.
Existem alguns sinais de alerta para o autismo:
- Não responder ao nome aos 12 meses
- Não apontar objetos aos 14 meses
- Não brincar de faz de conta aos 18 meses
- Falta de contato visual e querer ficar sozinho
- Dificuldades para entender os sentimentos dos outros e falar dos próprios
- Atraso da fala e hábitos de repetir palavras e frases muitas vezes, chamado ecolalia.
- Dar respostas que nada têm a ver com as perguntas
- Ter interesses obsessivos
- Ficar extremamente abalado por pequenas mudanças
- Agitação excessiva
- Reações inesperadas ao barulho de coisas, cheiros, gostos
O diagnóstico é precoce é fundamental para o tratamento, pois a criança necessita de diversas terapias e quanto mais cedo começar é melhor. Sem contar que algumas delas têm comportamento agitado e necessitam de medicação. A família também precisa de suporte para poder dar o amparo ideal.
O tratamento realizado nas crianças consiste nas terapias e reabilitações como terapia ABA, Denver, Fonoaudiologia, Terapia ocupacional, psicóloga e atividade física.
Os medicamentos utilizados para melhora do sono e comportamento em sua grande maioria são a risperidona e aripiprazol.
Entretanto, sabe-se que ainda existem obstáculos para que muita coisa seja colocada em prática. Não são poucos os casos de preconceito envolvendo cidadãos que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Portanto, para fazer valer o acesso aos serviços, tanto na esfera pública quanto privada e já conquistaram diversos direitos.
Em 8 de janeiro de 2020, foi sancionada a Lei nº 13.977, também conhecida como Lei Romeo Mion, em homenagem ao filho do apresentador Marcos Mion, Romeo Mion, que possui o transtorno. Essa lei cria a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), com “vistas a garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social”.
Ainda segundo essa lei, os estabelecimentos públicos e privados poderão utilizar o símbolo mundial da conscientização do Transtorno do Espectro Autista, a fita quebra-cabeça, para identificar a prioridade devida às pessoas com TEA.
Autor(a): Dra. Maria José Martins Maldonado
Neurologia Pediátrica
CRM-MS 1970 | RQE 2525 | RQE 2526
Neurologia Infantil, Eletroencefalografia e Neurofisiologia Clínica