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Dificuldade escolar

Publicado em 15/05/2026 às 11:41, por: MARIA JOSE MARTINS MALDONADO

Este é um tema campeão de queixas em todos os ambulatórios e consultórios médicos neuropediátricos em todo o país. Esta situação gera muita preocupação, pois o sucesso profissional é diretamente proporcional à escolaridade. Dessa forma o futuro das crianças fica comprometido, gerando transtornos psicológicos, familiares e por fim econômicos.

Se formos verificar as estatísticas, os dados são alarmantes. Os estudos mostram que 20 % das crianças tem dificuldade escolar no segundo ano do ensino fundamental, época da alfabetização, e pode chegar 50 %, se considerarmos o período até o sexto ano.

Várias são as causas desta condição clínica, dentre elas: questões emocionais, patologias associadas, escolaridade dos pais, condições da sala de aula, satisfação de trabalho dos professores, etc…. Porém as causas mais comuns são sem dúvida duas patologias bem conhecidas, mas que ainda são subdiagnosticadas em nosso meio e que são: o TDAH e a dislexia.

Para tanto é importante o reconhecimento precoce para que a criança possa ser tratada através de medicamentos e terapias reabilitadoras com psicólogas e fonoaudiólogas .

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade é responsável por 5% de incidência na população. É uma condição clínica no qual a criança tem boa capacidade cognitiva, porém a desatenção ou o seu comportamento hiperativo e impulsivo impedem que consigam uma boa execução em suas atividades diárias e escolares. Patologia alvo de muitas interpretações errôneas, polêmicas e tabus, trata-se de condição clínica perfeitamente tratável e com uma ótima evolução, desde que abordada adequadamente.

A dislexia é um pouco menos frequente, mas que causa grande angústia, pois embora a criança tenha preservação de sua inteligência, esta tem grande dificuldade na capacidade de leitura. Inclusive levando à interpretações errôneas de deficiência mental e muitas vezes levando a reprovações e desistências escolares.

Falando um pouco da neurofisiologia, é muito importante que haja precocidade no encaminhamento das crianças devido a ocorrência de sinaptogêneses muito intensa na infância, chamada de plasticidade cerebral, e que faz com que as crianças melhorem seus sintomas e consigam superar suas dificuldades.

Aqui fica o recado àqueles que conhecem crianças nessas condições. Lembre-se que o diagnóstico precoce, como em tudo na medicina, é fundamental para o bom resultado do tratamento.

Autor(a): Dra. Maria José Martins Maldonado
Neurologia Pediátrica
CRM-MS 1970 | RQE 2525 | RQE 2526
Neurologia Infantil, Eletroencefalografia e Neurofisiologia Clínica