Estamos vivendo um momento histórico no tratamento da obesidade. Pela primeira vez, temos em mãos ferramentas que vão muito além das tradicionais (e essenciais) recomendações de dieta e exercícios, permitindo uma abordagem muito mais eficaz para uma das principais doenças crônicas do nosso tempo.
Atualmente, 24,3% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e mais de 61,4% da população está acima do peso ideal, considerando pessoas com sobrepeso e obesidade. Esta condição finalmente está sendo reconhecida como uma doença complexa que precisa ser tratada com seriedade e embasamento científico. O impacto desta condição ficou ainda mais evidente durante a pandemia de COVID-19, quando se tornou claro que a obesidade é um fator de risco significativo para diversas complicações de saúde.
A grande revolução no tratamento da obesidade chegou com uma nova classe de medicamentos: os agonistas do GLP-1 e do GIP. Seus nomes comerciais conhecidos são Ozempic, Wegovy ou Monjauro. Estas drogas, como a semaglutida e a tirzepatida, representam muito mais do que apenas uma forma de perder peso. Elas agem de maneira ampla no organismo, combatendo a inflamação em diversos órgãos simultaneamente.
O mais impressionante é que, antes mesmo de causar a perda de peso, estes medicamentos já começam a trabalhar reduzindo a inflamação no pâncreas, melhorando a produção de insulina e sua captação pelas células. Pela primeira vez, temos uma medicação para tratamento da obesidade capaz de regredir a fibrose hepática e reduzir a inflamação nas cartilagens do joelho, mostrando benefícios surpreendentes para a saúde geral do paciente.
Os benefícios cardiovasculares são notáveis. Pacientes diabéticos usando semaglutida têm 39% menos chance de ter um infarto, enquanto pessoas com obesidade sem diabetes apresentam uma redução de 20% neste risco. Isso ocorre não apenas pela perda de peso, mas pela redução da inflamação no endotélio, a camada interna das artérias.
Esta revolução no tratamento vai além dos medicamentos. O monitoramento contínuo de glicose e outras tecnologias modernas permitem um acompanhamento mais preciso e personalizado do tratamento. Para casos específicos, é importante ressaltar que a cirurgia bariátrica também evoluiu muito, hoje sendo ainda mais segura e eficaz.
Estamos entrando em uma nova era do tratamento das doenças crônicas relacionadas à obesidade. Estas novas medicações não apenas tratam os sintomas, mas agem nas causas fundamentais da doença, incluindo o acúmulo de gordura em órgãos vitais que ocorre naturalmente com o envelhecimento.
O futuro é ainda mais promissor. Com a próxima queda das patentes destes medicamentos, esperamos uma maior democratização do acesso a estes tratamentos inovadores. É fundamental, no entanto, lembrar que estas medicações devem ser utilizadas sob orientação médica adequada, como parte de um tratamento integral que também inclui mudanças no estilo de vida.
Autor(a): Dra. Bianca Rahal Paraguassú Especialista em Endocrinologia e Metabologia CRM-MS 6170 | RQE 4317 | RQE 4643
Clínica Médica RQE 4317
Endocrinologia e Metabologia RQE 4643
CRM MS 6170
A Dra. Bianca Rahal Paraguassú é Campograndense, médica formada em 2009 pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com residência em Clínica Médica pela mesma Universidade, concluída em 2012.
• Em 2014 se pós-graduou em Endocrinologia pela...