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Obesidade: é uma doença, tem tratamento e você pode obter ajuda!

Publicado em 29/04/2026 às 15:36, por: BIANCA RAHAL PARAGUASSÚ

Com o tratamento da obesidade, é possível diminuir o desenvolvimento de outras doenças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) faz esse alerta junto com os profissionais da saúde.

Poucos sabem, mas quem já teve aumento de peso pelo menos uma vez na vida, têm mais chances de engordar novamente. Isso ocorre porque o corpo memoriza o maior peso que você já teve e vai tentar sempre atingir essa marca registrada.

Dessa maneira, o seu organismo cria mecanismos defensivos para impedir o emagrecimento, aumentando a fome e diminuindo o metabolismo basal a cada quilo perdido. Isso é o que dificulta a perda de peso e acaba exigindo maior esforço durante a fase de manutenção.

Ao compreender esses pontos, fica fácil para a sociedade e, principalmente, para o paciente entender a obesidade e o sobrepeso como doença crônica e não apenas como um fator de risco. Desse modo, cria-se um espaço para o diálogo com quem sofre dessa condição para buscar tratamento e acompanhamento adequado.

CENÁRIO ATUAL DA OBESIDADE

Para avaliar a gravidade da obesidade e sobrepeso no Brasil, o segundo volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, parceria do IBGE com o Ministério da Saúde demonstra que em 17 anos, o número de pessoas obesas em idade adulta mais do que dobrou, saindo dos 12,2% (2002/2003) e alcançando os 26,8% (2019). Neste mesmo período, a população adulta com excesso de peso passou de 43,3% para 61,7%, ou seja, quase dois terços dos brasileiros.

É importante entender que estes números não significam um aumento de irresponsabilidade ou falta de autocuidado das pessoas e sim, que estamos diante de uma doença que não tem medidas efetivas de prevenção e tratamento disponíveis para a maior parte da população. A quantidade de pessoas com sobrepeso e obesidade vai continuar crescendo pois esta doença crônica se baseia na genética e no ambiente em que vivemos, onde temos uma oferta excessiva e contínua de alimentos, associado ao sedentarismo.

DOENÇAS DESENCADEADAS

Com o tratamento da obesidade, é possível diminuir o desenvolvimento de outras doenças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) faz esse alerta junto com os profissionais da saúde, pois há doenças que podem causar morte prematura e também incapacidades substanciais. Confira quais são estas doenças:

  • Hipertensão;
  • Diabetes tipo 2;
  • Colesterol alto;
  • Alguns tipos de câncer (endometrial, mama, cólon, próstata e tireóide);
  • Problemas cardiovasculares (infarto, derrame);
  • Problemas respiratórios (asma, apneia) e
  • Artrose e dores musculares.

COVID-19

No ano de 2020, iniciou-se a pandemia da Covid-19, uma doença infecciosa que colocou as pessoas com obesidade no grupo de risco. Essa inclusão se dá por conta de algumas possibilidades agravantes no caso de infecção, como:

  • Maior resistência à insulina, que aumenta fatores de coagulação e inflamatórios; e
  • Maior acúmulo de gordura ectópica, incluindo o pulmão, que pode atrapalhar a troca gasosa.

Com este cenário, de acordo com estudos documentados pela Federação Latino-Americana de Sociedade de Obesidade (FLASO) sobre a relação de obesidade e o coronavírus, é recomendado que se evite ganhar peso, se manter ativo fisicamente, ter o acompanhamento médico (mesmo à distância) e perder de 3 a 5% de peso. Com estas medidas é possível também reduzir os riscos mais graves no caso de infecção pelo Coronavírus.

TRATAMENTO

O melhor remédio para tratar a obesidade é a mudança no estilo de vida. O excesso de peso vem da ingestão de alimentos além do necessário e menor gasto de energia. É por isso, que o tratamento consiste em uma dieta balanceada combinada com a prática de atividade física. Essa orientação é muito óbvia, mas por que continua ser tão difícil emagrecer, sendo que o tratamento básico e eficaz é esse?

É como foi dito anteriormente, quanto mais você perde peso, mais seu corpo aumenta sua fome e diminui seu metabolismo para recuperar o peso perdido. Parece muito injusto, mas é um mecanismo de defesa que o corpo cria. Para atingir o objetivo de emagrecimento, o paciente pode contar também com o auxílio de medicamentos justamente para controlar o apetite, aumentar sua saciedade, regular as taxas hormonais e também a absorção de gordura. E isso deve ser entendido como parte do tratamento, assim como você trataria qualquer outra doença que exija a indicação de medicação.

Outro fator que colabora muito com o processo de emagrecimento e manutenção do peso é a frequência do seu acompanhamento médico. Isso se dá porque ninguém vive numa mesma situação, sempre surgem mudanças e com o médico entendendo essas alterações na rotina do seu paciente, ele vai adequando o tratamento para aquele momento e para a fase em que se encontra. Por esta razão, é importante o tratamento individualizado e frequente.

Como o organismo possui esse comportamento de recuperação do peso, a pessoa deve entender que é uma nova rotina e hábitos que devem ser mantidos por toda a vida. Dessa maneira, o ideal não é realizar dietas que prometem resultados a curto prazo e sim, uma reeducação alimentar bem orientada, de preferência com a ajuda de um nutricionista, para que a refeição não seja um sofrimento e sim, seja um momento prazeroso, no entanto, mais saudável. Aliada a essa mudança, a prática regular de exercícios físicos é fundamental e você pode optar por uma atividade que combine o hábito saudável com o lazer.

Então, que tal diminuir as chances de desenvolver doenças futuras e mudar de vida? Procure um médico endocrinologista e faça a sua avaliação. 

Autor(a): Dra. Bianca Rahal Paraguassú
Especialista em Endocrinologia e Metabologia
CRM-MS 6170 | RQE 4317 | RQE 4643

BIANCA RAHAL PARAGUASSÚ
BIANCA RAHAL PARAGUASSÚ
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Clínica Médica RQE 4317 Endocrinologia e Metabologia RQE 4643 CRM MS 6170 A Dra. Bianca Rahal Paraguassú é Campograndense, médica formada em 2009 pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com residência em Clínica Médica pela mesma Universidade, concluída em 2012. • Em 2014 se pós-graduou em Endocrinologia pela...